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TEA e TDAH · 2 a 10 anos

Prancha de comunicação para imprimir: como montar e usar

Prancha de comunicação para imprimir: como montar, escolher palavras e figuras e usar no dia a dia com a criança, em CAA, com apoio de fonoaudiólogo.

Para começar

A prancha de comunicação é uma folha com figuras e palavras que a criança aponta para dizer o que quer, sente ou pensa. Faz parte da comunicação aumentativa e alternativa (CAA). Para montar, escolha poucas palavras de uso real, figuras claras, tamanho adequado e um lugar fixo, e use a prancha também enquanto o adulto fala. A escolha do sistema deve ser feita com fonoaudiólogo e equipe.

Prancha de comunicação é uma folha com figuras e palavras que a criança aponta para dizer o que quer, sente ou pensa, como parte da comunicação aumentativa e alternativa (CAA). Para montar, escolha poucas palavras de uso real, figuras claras e um lugar fixo, e use a prancha também quando o adulto fala. O sistema deve ser definido com fonoaudiólogo e equipe.

A CAA reúne recursos que complementam ou substituem a fala: gestos, objetos, fotos, pranchas, cadernos e dispositivos eletrônicos. O Ministério da Saúde e a OMS descrevem o autismo como uma condição de grande variação, e muitas pessoas autistas, mas também pessoas com outras condições, se beneficiam desses apoios. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) reconhece o direito à comunicação e às tecnologias assistivas. Para uma visão geral, veja o guia de comunicação alternativa no autismo. Este texto foca em como montar e usar a prancha.

Que tipos de prancha existem?

TipoComo éPara que serve
Prancha de escolhaDuas a quatro figurasPedir entre opções (lanche, brinquedo)
Prancha de rotinaSequência de cartõesAntecipar o que vem depois
Prancha temáticaVocabulário de uma situaçãoHora do lanche, banho, parque
Prancha de emoçõesRostos e palavrasDizer como se sente
Caderno de comunicaçãoVárias páginas organizadasConversar sobre diferentes assuntos

Como escolher as palavras e figuras?

Comece pelo que é importante para a criança. Uma boa prancha parte da vida real: o que ela pede todo dia, o que ela adora, o que a incomoda. Pergunte à família e aos professores quais são as palavras mais úteis.

  1. Materiais: uma lista em papel, caneta, figuras impressas ou desenhadas (de tamanho 3 a 5 cm) e uma folha branca.
  2. Passo a passo: anote as dez situações em que a criança mais tenta se comunicar. Para cada uma, escolha uma palavra simples (“comer”, “água”, “brincar”, “ajuda”, “mais”, “acabou”). Escolha figuras claras, com fundo limpo e do mesmo estilo. Organize em grupos de cor: ações em uma cor, objetos em outra.
  3. Mais fácil: comece com quatro figuras.
  4. Mais desafiador: inclua palavras sociais (“oi”, “tchau”, “por favor”) e de sentimentos (“triste”, “bravo”).
  5. Cuidado: as figuras devem ser reconhecíveis para a criança. Fotos reais de objetos dela podem funcionar melhor que desenhos genéricos.

Como montar uma prancha de escolha passo a passo?

  1. Materiais: folha de papel firme, duas figuras (por exemplo, “bola” e “livro”), velcro ou fita adesiva e tesoura.
  2. Passo a passo: cole um pedaço de velcro na prancha e outro no verso de cada figura. Deixe espaço entre as figuras para a criança apontar ou retirar. Apresente as duas opções, mostre os objetos reais e pergunte: “o que você quer?”. Espere. Se ela apontar, entregue o objeto e diga a palavra. Repita em momentos diferentes.
  3. Mais fácil: use um objeto de muito interesse e outro neutro.
  4. Mais desafiador: coloque três figuras e acrescente uma frase inicial (“eu quero…”).
  5. Segurança: velcro e fitas ficam fora da boca; prefira papel plastificado ou laminado em adesivo transparente.

A amostra de comunicação alternativa mostra páginas reais com esse tipo de cartão e serve para testar o formato antes de investir.

Como o adulto deve usar a prancha também?

Não basta oferecer a prancha: o adulto precisa usá-la. Ao falar, aponte as figuras correspondentes (“agora vamos lavar as mãos”). Isso mostra à criança como a prancha funciona, assim como as crianças aprendem a falar ouvindo adultos falarem. Evite pedir sempre que a criança “peça pela prancha” antes de dar o que ela precisa: a prancha é uma ferramenta de comunicação, e não um teste. Responda a qualquer tentativa de comunicação, como apontar, olhar ou puxar, e depois mostre a figura.

  1. Materiais: a prancha da situação e os objetos reais.
  2. Passo a passo: durante o lanche, diga “quer suco?” apontando a figura de suco, entregue o copo e diga “suco”. Faça o mesmo com outras palavras, em poucos momentos do dia.
  3. Mais fácil: use apenas uma ou duas palavras por situação.
  4. Mais desafiador: combine duas figuras (“quero” + “suco”).
  5. Cuidado: não corrija a criança nem diga “fale”; mostre.

Como fazer uma prancha temática para a hora do lanche?

  1. Materiais: folha de papel firme, figuras de alimentos que a criança come (pão, fruta, suco, água), figuras de ação (“quero”, “mais”, “acabou”), plástico adesivo transparente e velcro.
  2. Passo a passo: divida a folha em duas áreas: “o que quero” e “como me sinto na refeição”. Na primeira, cole as figuras de alimentos; na segunda, “mais”, “acabou” e “ajuda”. Durante o lanche, ofereça a prancha antes de servir, aponte as figuras conforme fala e sirva o que ela escolher. Ao final, mostre “acabou” e retire o prato com ela.
  3. Mais fácil: deixe apenas dois alimentos e um cartão de “mais”.
  4. Mais desafiador: inclua um espaço para “não quero” e respeite a recusa.
  5. Cuidado: use apenas alimentos seguros e liberados pela família; observe alergias e a textura que a criança aceita.

Essa prancha mostra um princípio importante: a comunicação precisa ter função real. Quando a criança percebe que apontar a figura faz o lanche chegar, ela entende o valor da prancha e passa a usá-la por vontade própria, e não porque alguém pediu. Depois, o mesmo modelo pode ser adaptado para o banho, o parque ou a hora de dormir.

Onde guardar e como levar a prancha?

A prancha precisa estar sempre acessível, na altura da criança e em um local previsível. Em casa, pode ficar fixada na geladeira, na mesa do lanche, na porta do quarto. Para sair, uma pasta pequena ou um chaveiro de figuras serve. Evite guardá-la em um armário alto, pois a comunicação surge em qualquer momento. Confira se a prancha está limpa e conservada e substitua as figuras gastas. Mantenha cópias na escola, para que a criança tenha o mesmo vocabulário em todos os ambientes.

Como a escola e a família podem trabalhar juntas?

Combine com a escola o vocabulário e o formato da prancha, para que todos usem as mesmas figuras. O professor de AEE e o fonoaudiólogo podem orientar a organização. O guia de atividades do AEE e da sala de recursos explica como esse apoio funciona, e o de rotina visual no autismo mostra como integrar a prancha às rotinas. Para ideias de atividades de comunicação no cotidiano, veja o guia de atividades para autistas não verbais. Registre no caderno de comunicação o que funcionou e o que a criança passou a usar sozinha.

Quais cuidados são importantes?

  • Não use a prancha como recompensa ou castigo; ela é um direito de comunicação.
  • Respeite a escolha, mesmo que seja repetitiva.
  • Evite retirar a prancha quando a criança passa a falar algumas palavras; a decisão deve ser acordada com os profissionais.
  • Atenção ao tamanho das figuras e à distância entre elas, para facilitar o apontar.
  • Observe sinais de cansaço e frustração, e reduza a quantidade de itens.
  • Quem tem dificuldade motora pode precisar de adaptações, como figuras maiores ou outro modo de indicar; converse com terapeuta ocupacional.
  • Este texto é educativo e não substitui avaliação e acompanhamento de profissionais.

Como saber se a prancha está funcionando?

Observe: a criança olha para a prancha? Aponta, retira ou pega as figuras? Usa a prancha em situações diferentes? Interage mais com os adultos? Anote, uma vez por semana, três exemplos de comunicação. Se não estiver funcionando, não conclua que a criança “não consegue”: revise o vocabulário, o tamanho, a posição e o modo de apresentar, com ajuda dos profissionais. A prancha é um recurso que evolui com a criança e deve ser revisada periodicamente.

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Perguntas frequentes

O que é uma prancha de comunicação?

É uma folha, painel ou caderno com figuras, símbolos e palavras que a pessoa aponta para se comunicar. Faz parte da CAA, que reúne recursos para quem não fala ou fala pouco. Pode ser de papel ou digital, simples ou com muitas páginas, conforme a necessidade de cada pessoa.

Quantas figuras colocar na prancha?

Poucas no início, de quatro a oito, com figuras claras e espaçadas. Aumente conforme a criança aprende a usar. Muitas figuras de uma vez podem dificultar a escolha. A decisão sobre quantidade, tamanho e organização deve ser ajustada com o fonoaudiólogo, que conhece a criança.

Usar prancha atrapalha a fala?

Não há evidência de que a CAA impeça a fala. Ao contrário, muitos profissionais a consideram uma ponte para a comunicação e para a interação, que reduz a frustração. A decisão de usar prancha deve ser tomada com a equipe, considerando as necessidades e preferências da criança.

Posso imprimir uma prancha pronta e começar a usar?

Pode ser um bom ponto de partida, desde que as figuras façam sentido para a criança e o vocabulário represente a vida dela. Personalize com fotos, palavras e itens favoritos. Combine com os profissionais antes de definir o sistema, para que todos usem as mesmas figuras em casa e na escola.

Fontes e referências

  1. Ministério da Saúde — Autismo
  2. OMS — Autism spectrum disorders
  3. Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015)

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