Menos telas. Mais descobertas. Experimente uma atividade grátis
TEA e TDAH · 3 a 10 anos

Atividades para autistas não verbais: comunicação e escolhas

Atividades para autistas não verbais ou com pouca fala: escolhas, apoio visual, jogos de turnos e rotina, com respeito à comunicação e orientação de profissionais.

Para começar

Muitas pessoas autistas não falam ou falam pouco e se comunicam por gestos, olhar, sons, imagens e outros recursos. Atividades para esse perfil valorizam qualquer forma de comunicação, oferecem escolhas, apoio visual e jogos de turnos, sem exigir fala. Este guia traz propostas práticas e educativas, com adaptações e a lembrança de que o plano de comunicação deve ser definido com profissionais.

Atividades para autistas não verbais valorizam qualquer forma de comunicar, como gestos, olhar, sons, imagens e objetos, e não exigem fala. Funcionam com escolhas simples, apoio visual, jogos de turnos e rotina previsível. São educativas, com acompanhamento do adulto, e o plano de comunicação deve ser definido com profissionais que conhecem a pessoa.

“Não verbal” é um termo comum, mas impreciso: muitas pessoas autistas se comunicam, só não pela fala. Algumas falam poucas palavras, outras usam frases decoradas, outras utilizam imagens, gestos e dispositivos de comunicação. O Ministério da Saúde e a OMS descrevem o autismo como uma condição do neurodesenvolvimento com grande variação entre as pessoas, o que reforça que não existe uma receita única. O texto a seguir apresenta ideias de atividades para casa e escola, respeitando essa diversidade. Para o tema dos recursos de comunicação, veja o guia de comunicação alternativa no autismo.

O que muda quando a fala não é a principal via de comunicação?

O foco passa a ser criar situações em que a criança possa comunicar de qualquer jeito, e ser entendida. Isso significa observar sinais (apontar, olhar, afastar, puxar a mão), responder com atenção e dar tempo. Evite exigir que ela “fale” para receber algo: isso pode gerar frustração e reduzir a vontade de interagir.

PrincípioO que fazerExemplo
Presumir competênciaFalar com respeito, sem presumir que não entendeExplicar o que vai acontecer
Dar tempoEsperar 5 a 10 segundos pela respostaPausa depois da pergunta
Oferecer escolhasDois objetos ou imagens, uma pergunta“Quer a bola ou o carrinho?”
Usar apoio visualMostrar o que se falaCartão com a figura do lanche
Valorizar toda tentativaResponder a gestos e sonsEntregar o que ela apontou

Como oferecer escolhas com dois objetos?

  1. Materiais: dois objetos de interesse da criança (por exemplo, um brinquedo e uma bola) ou dois cartões com figuras, e uma mesa limpa.
  2. Passo a passo: mostre os dois itens, um em cada mão, e diga: “quer o carrinho ou a bola?”. Espere. Se a criança olhar, apontar ou estender a mão, entregue o item escolhido e nomeie: “carrinho”. Ofereça tempo para brincar e repita em outros momentos do dia.
  3. Mais fácil: comece com um item de grande interesse e outro neutro.
  4. Mais desafiador: acrescente uma terceira opção, ou peça que escolha entre duas imagens sem o objeto à vista.
  5. Cuidado: respeite a escolha, mesmo que seja sempre a mesma; ela é uma forma de comunicação e de preferência.

Como fazer um jogo de turnos sem palavras?

  1. Materiais: um brinquedo de empilhar, blocos ou uma bola macia.
  2. Passo a passo: sentem-se frente a frente. Coloque um bloco e estenda a mão para a criança colocar o seguinte. Alterne, marcando o momento da vez com um gesto simples ou com um som. Se ela quiser outro ritmo, siga o dela. Quando a torre cair, comemorem juntos.
  3. Mais fácil: use uma bola que rola entre os dois, sem regras além de passar.
  4. Mais desafiador: acrescente um “mais” (gesto) para pedir outro bloco.
  5. Adaptação: crianças com sensibilidade a toque podem preferir que o adulto não segure a mão; ofereça o objeto apenas.

Como usar uma sequência visual de duas ou três etapas?

  1. Materiais: cartões com figuras (lavar as mãos, lanche, brincar), uma tira de velcro ou fita adesiva e um cartão final “acabou”.
  2. Passo a passo: monte a sequência em linha, da esquerda para a direita. Mostre o cartão atual e execute a ação com a criança. Ao terminar, ela (ou você) retira o cartão e coloca na caixa de “acabou”. Passe ao seguinte. Comece com duas etapas e aumente conforme a compreensão.
  3. Mais fácil: use o formato primeiro/depois, com apenas dois cartões.
  4. Mais desafiador: inclua um cartão de “escolha” na sequência, para que ela decida o último momento.
  5. Aplicação: o guia de rotina visual no autismo detalha como montar e adaptar esse recurso.

Como brincar com música e movimento?

Música e ritmo são pontes de interação para muitas pessoas. Cante canções com gestos repetidos, faça pausas e espere o gesto da criança para continuar (“mais”). Ofereça instrumentos simples, como um tambor ou chocalho, e imite o que ela faz antes de propor algo novo. Respeite a sensibilidade a sons: volume baixo, pausas e a opção de se afastar. Não force o contato visual nem a imitação. O importante é perceber o que ela escolhe, e responder.

Como usar histórias e objetos concretos?

  1. Materiais: um livro curto com imagens claras e dois ou três objetos que aparecem na história (por exemplo, uma colher, um boneco).
  2. Passo a passo: leia apontando para a figura e mostrando o objeto correspondente. Deixe a criança tocar, cheirar (se for seguro) e explorar. Pause e espere por um gesto, um olhar ou um som. Repita a mesma história por vários dias, pois a previsibilidade traz segurança.
  3. Mais fácil: conte com apenas dois objetos e uma imagem por vez.
  4. Mais desafiador: peça que escolha o próximo objeto da história entre dois.
  5. Aplicação: o guia de histórias sociais no autismo apresenta outro uso de textos curtos e imagens.

Como criar situações para pedir “mais”, “ajuda” e “acabou”?

  1. Materiais: uma atividade de interesse da criança (bolhas de sabão, bolinhas, um lanche permitido), um cartão ou gesto para “mais”, outro para “ajuda” e outro para “acabou”.
  2. Passo a passo: brinque até um momento prazeroso e pare de repente, esperando. Mostre o cartão de “mais” e faça o gesto junto. Se a criança olhar, apontar ou fizer o gesto, retome a brincadeira imediatamente. Em outro momento, feche uma caixa com um brinquedo dentro e modele “ajuda”. Ao fim, mostre “acabou” e guarde.
  3. Mais fácil: aceite qualquer sinal, como olhar para o objeto ou estender a mão.
  4. Mais desafiador: peça que escolha entre “mais” e “acabou” e respeite a resposta.
  5. Cuidado: não use a espera como teste nem como castigo; se a criança ficar angustiada, ofereça o que ela busca e tente de outra forma depois.

Como organizar o espaço para favorecer a comunicação?

Organize o ambiente para que a criança precise e possa se comunicar. Deixe objetos de interesse visíveis, mas fora do alcance, em potes transparentes, para que ela peça. Mantenha os cartões de comunicação em local fixo e acessível, na altura dela. Reduza o excesso de brinquedos à vista, que dificulta a escolha, e alterne os itens conforme o interesse. Em sala de aula, reserve um canto calmo, com poucos estímulos, para momentos de regulação. Esses pequenos ajustes aumentam as chances de interação sem exigir esforço extra da criança.

Quais cuidados são essenciais?

  • Respeite sinais de desconforto: tapar ouvidos, afastar-se ou balançar podem indicar excesso de estímulos.
  • Evite comparar com outras crianças ou cobrar fala.
  • Mantenha ambiente organizado, com pouca distração e previsibilidade.
  • Use frases curtas, tom calmo e o mesmo vocabulário em casa e na escola.
  • Combine com os profissionais (fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, professor de AEE) quais recursos de comunicação usar.
  • Reconheça que a comunicação também pode ser emocional: crises e choro são formas de dizer algo.
  • As atividades são educativas e não são terapia, nem substituem avaliação ou acompanhamento.

Como a família e a escola podem trabalhar juntas?

Compartilhe com a escola o que funciona em casa: os sinais que a criança usa, os objetos de interesse, os cartões e as escolhas preferidas. Peça o mesmo à escola. Mantenha um caderno de comunicação simples, com fotos e anotações curtas. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) garante direito à educação inclusiva e a recursos de acessibilidade, o que inclui apoios de comunicação. Se tiver dúvidas sobre direitos, procure a rede de saúde e a secretaria de educação.

Material de apoio para imprimir

O Kit TEA & TDAH na Prática inclui pranchas de comunicação, cartões de escolha, rotinas visuais e outros recursos entre seus +440 recursos lúdicos. Experimente a amostra de comunicação alternativa, veja a página do kit e a loja. Kit TEA & TDAH na Prática: +440 recursos lúdicos, a partir de R$ 19,90. É material de apoio e não substitui avaliação nem terapia.

Se quiser ir além

Recursos prontos para o atendimento e a rotina.

Mais de 440 recursos lúdicos em PDF para psicopedagogos, terapeutas, professores de AEE e famílias organizarem atividades com crianças com TEA e TDAH: rotinas visuais, cartões, pranchas e fichas para imprimir. Conheça a oferta, veja o que está incluído e escolha com calma.

a partir de R$ 19,90

Conhecer o Kit TEA e TDAH

Perguntas frequentes

O que significa autista não verbal?

É um termo usado para pessoas autistas que não usam a fala, ou a usam pouco, como principal forma de comunicação. Isso não significa que não se comuniquem: muitas usam gestos, olhar, sons, imagens e dispositivos. Por isso, hoje muitos profissionais preferem falar em pessoas que não oralizam ou oralizam pouco.

Autistas não verbais entendem o que se fala?

Varia muito. Algumas compreendem bastante e têm dificuldade apenas na expressão; outras precisam de mais apoio para compreender. Fale com respeito, em frases curtas e claras, e use apoios visuais, sem presumir que não entendem. Avaliação com fonoaudiólogo ajuda a conhecer o perfil de cada pessoa.

Posso ensinar a criança a falar com atividades em casa?

Atividades em casa podem criar oportunidades de comunicação, mas o plano de linguagem deve ser definido com profissionais, como fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional. A família ajuda oferecendo escolhas, esperando a resposta e valorizando qualquer tentativa de se comunicar, sem pressionar.

Pranchas e imagens atrapalham o desenvolvimento da fala?

Não há evidência de que o uso de apoio visual impeça a fala; ao contrário, a comunicação por imagens pode reduzir a frustração e abrir caminhos para interação. A decisão sobre qual recurso usar deve ser feita com profissionais que conhecem a criança, observando suas necessidades.

Fontes e referências

  1. Ministério da Saúde — Autismo
  2. OMS — Autism spectrum disorders
  3. Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015)

As propostas práticas são exemplos editoriais do projeto. Não representam certificação pedagógica nem recomendação clínica. Conheça nossa política editorial e envie uma correção.

A descoberta continua

Outras ideias para o seu momento.

Ver todas