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TEA e TDAH · 3 a 10 anos

Histórias sociais autismo: como escrever e exemplos

Histórias sociais autismo: o que são, como escrever passo a passo, com frases descritivas e exemplos para situações do dia a dia, com apoio profissional.

Para começar

Histórias sociais são textos curtos, em primeira ou terceira pessoa, que descrevem uma situação, o que acontece e o que se espera, com linguagem positiva e, muitas vezes, imagens. Servem para antecipar eventos como ir ao dentista, esperar a vez ou lidar com mudanças. O método foi criado por Carol Gray; este guia traz uma adaptação simples para famílias e escolas, que deve ser ajustada com profissionais.

Histórias sociais são textos curtos, em primeira ou terceira pessoa, que descrevem uma situação, o que acontece e o que se espera, com linguagem positiva e, muitas vezes, imagens. Servem para antecipar eventos como ir ao dentista, esperar a vez ou lidar com mudanças. Para escrever, escolha uma situação, use frases descritivas curtas e revise com a criança e os profissionais.

O formato foi criado por Carol Gray no início dos anos 1990 e tem diretrizes próprias de elaboração. Este guia apresenta uma adaptação simples, para uso educativo por famílias e professores, sem pretensão de substituir o trabalho de profissionais treinados. Como a OMS observa, as pessoas autistas têm habilidades e necessidades diversas; por isso, a história deve ser personalizada e testada. Ela não promete mudar comportamentos, e sim oferecer informação clara sobre o que vai acontecer.

Para que servem as histórias sociais?

  • Antecipar eventos novos: primeiro dia de aula, consulta, viagem, festa de aniversário.
  • Explicar regras sociais implícitas: esperar na fila, cumprimentar, brincar em grupo.
  • Preparar para mudanças: troca de professor, mudança de casa, chegada de um irmão.
  • Lidar com sentimentos: o que fazer quando fico nervoso.
  • Descrever o ponto de vista dos outros: por que o colega ficou triste quando peguei o brinquedo.

Que tipos de frase compõem a história?

A abordagem tradicional organiza as frases em categorias:

TipoFunçãoExemplo
DescritivaInforma o contexto, os fatos“Hoje vou ao dentista. O consultório tem uma cadeira grande.”
PerspectivaFala de sentimentos e pensamentos“Algumas crianças sentem um pouco de medo. O dentista quer cuidar dos dentes.”
DiretivaSugere uma resposta possível“Posso respirar fundo e levantar a mão se quiser parar.”
AfirmativaReforça um valor ou tranquiliza“Muitas pessoas vão ao dentista. Isso é normal.”

Uma boa história tem mais frases descritivas e de perspectiva do que diretivas. O tom é de informação e segurança, e não de ordem.

Como escrever uma história social passo a passo?

  1. Escolha uma situação concreta. “Ir ao mercado”, em vez de “comportar-se bem”.
  2. Observe e converse. O que a criança sabe? O que a deixa insegura? Que detalhes sensoriais importam (luz, barulho, cheiro)?
  3. Escreva em frases curtas. Uma ideia por frase. Use tempo presente ou futuro.
  4. Use linguagem positiva. Prefira “Posso esperar sentado” a “Não posso correr”.
  5. Inclua o ponto de vista dos outros. Ajuda a criança a compreender o contexto.
  6. Ofereça opções. “Posso levar meu brinquedo” ou “Posso pedir uma pausa”.
  7. Acrescente imagens. Fotos do lugar real, desenhos simples ou pictogramas.
  8. Releia e revise. Peça a opinião de quem conhece a criança e, se possível, de um profissional.
  9. Teste e ajuste. Leia antes do evento, diariamente, por alguns dias, e observe a reação.

Exemplo 1: ir ao mercado

Hoje vou ao mercado com a mamãe. O mercado é um lugar grande, com muitas pessoas e alguns barulhos. Ali as pessoas escolhem comida e colocam no carrinho. Às vezes, tem fila para pagar. Esperar na fila pode ser chato, mas a fila anda. Posso segurar a lista da mamãe ou meu brinquedo enquanto espero. Se o barulho me incomodar, posso avisar a mamãe e usar meu abafador de ruído. Depois de pagar, vamos para casa.

Exemplo 2: esperar a vez no jogo

Quando brinco com outras crianças, cada um joga na sua vez. Enquanto o colega joga, eu posso olhar e esperar. Esperar às vezes é difícil. Posso contar até cinco ou segurar uma bolinha. Quando chegar minha vez, o colega vai me avisar. Os colegas gostam quando eu espero, e eu também gosto quando eles esperam por mim.

Exemplo 3: quando muda a rotina

Na escola, geralmente a professora Ana está na minha sala. Hoje a professora Ana não vem, e outra professora vai ficar com a turma. Ela se chama Carla. Algumas coisas serão iguais: a roda, o lanche e o parque. Algumas coisas podem ser diferentes. Posso olhar o quadro de rotina para saber o que vem depois. Se eu ficar preocupado, posso mostrar o cartão de ajuda.

Esses exemplos são ilustrativos. Adapte vocabulário, comprimento e imagens à sua criança. Para quem lê pouco, divida em uma frase por página e use fotos do local.

Como usar na prática?

  • Quando ler: antes do evento, em um momento calmo, e não no meio de uma dificuldade.
  • Quem lê: um adulto de confiança, inicialmente; depois a criança pode ler sozinha ou escolher.
  • Frequência: algumas leituras antes de uma situação nova; depois, reduza.
  • Formato: livrinho, folha plastificada, aplicativo ou slides. Deixe à mão da criança.
  • Combinar com outros recursos: a rotina visual mostra a sequência; a história explica o que acontece em cada etapa. Se a criança usa símbolos, mantenha os mesmos de sua prancha de comunicação.

O que evitar nas histórias sociais?

  • Textos longos demais ou com muitas instruções.
  • Linguagem negativa, de culpa ou punição.
  • Descrever a criança como “problema”.
  • Dar garantias que não podem ser cumpridas (“não vai doer nada”).
  • Usar a história como substituto de apoio sensorial, de pausa ou de ajuda direta.
  • Criar uma história para cada pequena dificuldade. Priorize as situações que mais importam.

Como adaptar o formato à criança?

O mesmo conteúdo pode ganhar formatos diferentes:

  • Crianças que ainda não leem: uma frase por página, com foto real ou desenho; o adulto lê e a criança vira a página.
  • Crianças que leem: textos um pouco maiores, com espaço para a criança desenhar ou escolher o final.
  • Crianças que gostam de tecnologia: apresentações simples em tablet, com áudio gravado pela família.
  • Crianças com interesse especial: use o tema favorito (dinossauros, trens) como personagem, para atrair a atenção.
  • Crianças sensíveis a detalhes: retire imagens muito elaboradas e prefira traços simples.

Depois de usar a história algumas vezes, observe se ela realmente ajudou: a criança parece mais tranquila? Sabe o que esperar? Se não, pode ser preciso mudar a história, repensar a situação ou combinar outros apoios, como pausas e comunicação alternativa.

E para emoções difíceis?

Histórias sociais também podem descrever sentimentos e estratégias, como “Quando fico bravo, meu corpo esquenta. Posso ir para o cantinho de calma”. Combine com atividades concretas, como cartões de emoções e respiração; veja atividades sobre emoções. Se a criança tem crises frequentes e intensas, busque profissionais de saúde.

Quando envolver profissionais?

Psicólogos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos têm experiência com o formato e podem ajudar a calibrar a linguagem, as imagens e as situações prioritárias. Na escola, o professor do AEE pode participar da elaboração e do uso. Leve a história para a consulta e discuta o que funcionou.

Folhas prontas para apoiar

Cartões e folhas ilustradas ajudam a montar a história. Veja as amostras gratuitas para observar o estilo de ilustração que a criança aceita antes de produzir seu material.

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Perguntas frequentes

O que é uma história social para autistas?

É um texto curto, escrito para uma situação específica, que descreve onde, quando, quem e o que acontece, e o que se espera da pessoa, em linguagem clara e positiva. Costuma ser acompanhado de imagens e lido antes do evento. O objetivo é antecipar e compreender, não obrigar a um comportamento.

Como escrever uma história social?

Escolha uma situação, observe a perspectiva da criança, escreva frases curtas e descritivas na primeira ou terceira pessoa, inclua o que os outros fazem e sentem, indique o que a criança pode fazer e use um tom tranquilizador. Adicione imagens e revise com a criança e com profissionais.

Para que idade as histórias sociais servem?

Podem ser usadas em várias idades, adaptando a linguagem e as imagens. Crianças pequenas se beneficiam de poucas frases e fotos; crianças em idade escolar podem ler e até ajudar a escrever. A compreensão da criança é o parâmetro para ajustar o formato.

Posso usar história social para qualquer comportamento?

Use para antecipar situações e explicar expectativas sociais, não para punir ou corrigir. Evite textos cheios de “não pode”. Se a dificuldade for frequente ou intensa, procure psicólogo, terapeuta ocupacional ou fonoaudiólogo, que ajudam a entender o contexto e a planejar apoios.

Fontes e referências

  1. Ministério da Saúde — Autismo
  2. OMS — Autism spectrum disorders
  3. UNICEF — Desenvolvimento infantil

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