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TEA e TDAH · 4 a 10 anos

Atividades AEE: ideias para a sala de recursos

Atividades AEE para a sala de recursos multifuncionais: como planejar, escolher materiais adaptados e articular o atendimento com a sala comum.

Para começar

O Atendimento Educacional Especializado (AEE) acontece, em geral, na sala de recursos multifuncionais, em horário diferente do ensino comum. Ele identifica barreiras, produz materiais adaptados e orienta professores e famílias. As atividades do AEE partem das potencialidades do aluno e dialogam com o currículo da sala comum. O plano de AEE é individual, elaborado pelo professor especializado em articulação com a escola e a família.

Atividades AEE são as propostas planejadas no Atendimento Educacional Especializado, geralmente na sala de recursos multifuncionais, para identificar barreiras, produzir materiais adaptados e ampliar a participação do aluno na turma comum. Partem do estudo de caso e das potencialidades da criança, dialogam com o currículo e são registradas em um plano individual.

O AEE é direito de estudantes com deficiência, e a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015, art. 28) prevê o plano de atendimento educacional especializado e a organização de recursos de acessibilidade e tecnologia assistiva. A Lei nº 12.764/2012 reforça o acesso à educação de pessoas com Transtorno do Espectro Autista. As regras de funcionamento variam entre redes de ensino; confirme o fluxo com a secretaria da sua cidade ou estado. O conteúdo abaixo é educativo e voltado a professores, coordenadores e famílias.

Como funciona a sala de recursos?

A sala de recursos multifuncionais costuma ter jogos pedagógicos, recursos de comunicação, materiais táteis, computador, mobiliário adaptável e outros itens de acessibilidade. O aluno frequenta o AEE em contraturno (ou conforme a organização da rede) e continua na sala comum no turno regular. Em geral, o fluxo é:

  1. Identificação das necessidades. Conversa com a família, observação do aluno e informações da sala comum e de profissionais de saúde.
  2. Estudo de caso. Levantamento de potencialidades, interesses, barreiras e recursos.
  3. Plano de AEE. Objetivos, atividades, recursos, frequência e formas de acompanhamento.
  4. Atendimento. Sessões individuais ou em pequenos grupos.
  5. Articulação. Orientação ao professor da sala comum, à família e, quando for o caso, à equipe de saúde.
  6. Avaliação contínua. Registro dos avanços e revisão do plano.

Que tipos de atividade o AEE costuma planejar?

Comunicação e linguagem

Elaboração de pranchas, cartões e agendas visuais; jogos de nomeação; histórias com apoio. Veja comunicação alternativa e histórias sociais.

Atenção, memória e funções executivas

Jogos de memória, sequências, resolução de problemas e tarefas em etapas, com ajuste de tempo e de estímulos. Detalhes em funções executivas.

Autonomia

Atividades de higiene, alimentação, organização da mochila e deslocamento na escola, com passos ilustrados. Mais em atividades de vida diária.

Coordenação e habilidades motoras

Recorte, colagem, encaixes, traçado e uso de adaptadores de lápis ou tesouras. O guia de coordenação motora traz propostas complementares.

Adaptação do currículo

Versões do conteúdo da sala comum com menos itens, apoio visual, letras maiores, materiais concretos ou tecnologia assistiva, para que o aluno participe da mesma proposta que a turma.

Habilidades sociais e emocionais

Jogos de turnos, role-play com fantoches, cartões de emoções e estratégias de autorregulação. As atividades sobre emoções oferecem ideias.

Como planejar uma sessão de AEE?

EtapaPergunta orientadoraExemplo
ObjetivoO que o aluno precisa acessar?Participar da roda de histórias
RecursoQue material reduz a barreira?Livro com pictogramas e objetos
AtividadeComo proponho de forma lúdica?Montar a história com os objetos
ApoioQue ajuda ofereço e como retiro?Modelo e depois pergunta
RegistroComo saberei se funcionou?Anotar quantos objetos usou sozinho
PonteComo levo isso à sala comum?Enviar a prancha para o professor

Uma sessão costuma ter acolhida, atividade principal, momento de escolha livre e encerramento com cartão de rotina. A previsibilidade é útil para muitos alunos; confira como construir em rotina visual.

Como articular AEE e sala comum?

O risco do AEE é virar um espaço isolado. Algumas práticas ajudam a evitar:

  • Reuniões curtas e regulares entre professor do AEE e professor da turma.
  • Compartilhar materiais: cartões, pranchas e roteiros usados no AEE também aparecem na sala comum.
  • Antecipar o conteúdo: o AEE pode apresentar previamente o vocabulário e os materiais de uma unidade.
  • Planejar juntos adaptações de atividades e avaliações.
  • Incluir a família em reuniões de devolutiva, com linguagem acessível.

Também é útil revisar o PEI, nos lugares em que ele é adotado, para que as metas e adaptações estejam alinhadas.

O que são materiais adaptados?

São recursos modificados para reduzir barreiras sem alterar o objetivo pedagógico. Exemplos:

  • Letras e figuras ampliadas, com contraste forte.
  • Folhas plastificadas para uso com canetas laváveis.
  • Engrossadores de lápis e tesouras com mola.
  • Cartões com velcro para respostas de associação.
  • Jogos com peças maiores e texturas.
  • Pranchas de comunicação personalizadas.

Antes de produzir muito material, teste com o aluno. Um recurso que a criança usa pouco pode ser simplificado ou substituído.

Exemplo de uma sequência de três sessões

Para ilustrar, imagine um aluno de 5 anos que gosta de animais e tem dificuldade de participar da roda de histórias. O professor do AEE pode planejar:

  • Sessão 1: explorar uma caixa com bichos de brinquedo, nomeando cada um com o apoio de figuras. Objetivo: ampliar o vocabulário e criar interesse pela história.
  • Sessão 2: montar, com cartões, a sequência da história (começo, meio e fim) e recontar com os bichos. Objetivo: acompanhar a ordem dos acontecimentos.
  • Sessão 3: levar a caixa e os cartões para a sala comum, em parceria com o professor da turma, e ensaiar o uso na roda. Objetivo: transferir o que foi aprendido para o grupo.

Ao final, o professor registra o que o aluno fez sozinho, o que fez com apoio e quais interesses surgiram. Esse tipo de registro é a base para ajustar o plano e conversar com a família.

Quais cuidados éticos importam?

  • Linguagem respeitosa: fale do estudante, não do “caso”.
  • Sigilo: não exponha laudos e diagnósticos a quem não precisa saber.
  • Foco nas potencialidades, e não somente nas dificuldades.
  • Participação do aluno: sempre que possível, ouça o que ele gosta e deseja.
  • Sem promessas: atividades pedagógicas apoiam a aprendizagem, mas não tratam condições de saúde.

Como organizar a sala de recursos?

Uma sala bem organizada facilita o trabalho e a autonomia dos alunos. Separe os materiais em caixas etiquetadas com imagem e palavra (jogos de encaixe, comunicação, motricidade, leitura). Deixe à altura das crianças o que elas podem pegar sozinhas e guarde o restante. Mantenha uma área de mesa para atividades dirigidas, outra de tapete para brincar e um canto de calma. Registre em um caderno de bordo os atendimentos, para que qualquer profissional entenda o que foi feito e o que vem a seguir.

Onde ver exemplos de folhas prontas?

Se está começando a montar o acervo da sala de recursos, a página de amostras gratuitas mostra como podem ser folhas simples e organizadas, que dá para ampliar, plastificar ou recortar.

Um acervo para ganhar tempo

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Perguntas frequentes

O que é a sala de recursos multifuncionais?

É um espaço da escola, com equipamentos e materiais pedagógicos e de acessibilidade, onde o professor do AEE atende estudantes com deficiência, entre outros públicos. O atendimento complementa a sala comum e não a substitui: o aluno continua frequentando a turma regular.

Qual a diferença entre o PEI e o plano de AEE?

O plano de AEE descreve o atendimento especializado (objetivos, recursos, frequência) e é elaborado pelo professor do AEE. O PEI, quando adotado, organiza as adaptações e metas para toda a aprendizagem na escola, com participação de vários profissionais. Os nomes e fluxos variam entre redes.

Que atividades podem ser feitas no AEE?

Dependem de cada aluno. Em geral, jogos de atenção e memória, recursos de comunicação alternativa, materiais adaptados do conteúdo da sala comum, atividades de autonomia e uso de tecnologia assistiva. O professor planeja a partir do estudo de caso, com a família e a equipe.

A família pode participar do AEE?

Deve participar. A família informa interesses, rotinas e estratégias que funcionam em casa, recebe orientações do professor e acompanha o desenvolvimento do plano. O diálogo contínuo entre casa, sala comum, AEE e profissionais de saúde torna o trabalho mais coerente.

Fontes e referências

  1. Lei nº 13.146/2015 — Lei Brasileira de Inclusão (art. 28)
  2. Lei nº 12.764/2012 — Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA
  3. MEC — Base Nacional Comum Curricular, Educação Infantil

As propostas práticas são exemplos editoriais do projeto. Não representam certificação pedagógica nem recomendação clínica. Conheça nossa política editorial e envie uma correção.

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