Funções executivas são habilidades mentais que ajudam a planejar, lembrar instruções, controlar impulsos e mudar de estratégia. Os três pilares costumam ser memória de trabalho, controle inibitório e flexibilidade cognitiva. Brincadeiras como jogo da memória, “mestre mandou” e jogos de sequência exercitam essas habilidades em doses curtas e lúdicas, sem tratar condições de saúde.
A ideia aqui é traduzir o conceito em ações do dia a dia para famílias, professores e terapeutas. Crianças pequenas ainda estão desenvolvendo essas funções, e o amadurecimento continua pela adolescência. O ambiente conta muito: sono suficiente, relações afetivas estáveis, espaço para brincar e adultos que apoiam sem fazer tudo pela criança. O UNICEF e o Ministério da Saúde enfatizam o papel do cuidado responsivo e do brincar no desenvolvimento infantil.
Quais são as principais funções executivas?
| Função | O que significa | Como aparece no dia a dia |
|---|---|---|
| Memória de trabalho | Guardar e manipular informação por pouco tempo | Lembrar duas instruções seguidas |
| Controle inibitório | Frear impulsos e esperar | Aguardar a vez, não interromper |
| Flexibilidade cognitiva | Mudar de regra ou ponto de vista | Aceitar um plano B, trocar de brincadeira |
| Planejamento | Organizar passos para um objetivo | Montar uma torre seguindo um modelo |
| Atenção sustentada | Manter o foco por algum tempo | Terminar um quebra-cabeça |
| Autorregulação | Reconhecer e modular emoções | Respirar quando fica nervoso |
Os nomes variam conforme o autor, mas a lógica é parecida. Não é preciso separar rigidamente cada habilidade: a maioria dos jogos exercita várias ao mesmo tempo.
Atividades para memória de trabalho
- Jogo da memória com cartas. Comece com 4 pares e aumente. Use temas do interesse da criança.
- Instruções em sequência. “Pegue o livro e coloque na mesa.” Depois três passos: “pegue o livro, coloque na mesa e traga o lápis”.
- Repetir padrões. Bata palmas em uma sequência curta (palma, palma, estalo) e peça que repita; depois a criança cria um padrão e você repete.
- Bandeja do que sumiu. Mostre cinco objetos, cubra, retire um e pergunte qual falta.
- Contar de trás para frente a história do dia. “O que fizemos antes do almoço?” Isso exercita ordem e memória.
Atividades para controle inibitório
- Mestre mandou. Só obedece se a ordem começar com “mestre mandou”.
- Estátua. Dança livre e, quando a música pára, congelar.
- Semáforo. Vermelho: parar; verde: andar; amarelo: devagar. Pode virar circuito em casa.
- Jogos de turnos. Tabuleiros simples, empilhar peças alternadamente, passar a bola em roda.
- Contar até dez antes de abrir a caixa. Uma pequena espera com recompensa curta.
Se a criança tem dificuldade para esperar, comece com esperas de poucos segundos, com um apoio visual (ampulheta) e aumente devagar. Evite transformar o jogo em teste de força de vontade.
Atividades para flexibilidade cognitiva
- Mudar a regra no meio. No jogo de classificar objetos por cor, anuncie “agora por forma”. Faça a troca com sinal visual (um cartão novo).
- Dois jeitos de resolver. Ao montar uma torre, pergunte: “E se usarmos outra peça?”.
- Final alternativo. Invente com a criança outros finais para uma história conhecida.
- Troca de papéis. A criança conduz a brincadeira e o adulto segue; depois invertem.
- Plano B divertido. Quando algo não sai como previsto, nomeie “vamos de plano B” e encontre a alternativa juntos. Isso normaliza a mudança, que costuma ser difícil para muitas crianças. A rotina visual pode incluir um cartão de “mudança”.
Atividades de planejamento e organização
- Receita ilustrada. Preparar um lanche simples seguindo passos desenhados.
- Mapa do tesouro. Esconda um objeto e desenhe o caminho, ou peça que a criança desenhe.
- Arrumar a mochila com lista. Checklist com imagens, que a criança risca.
- Construção com foto. Reproduzir uma construção de blocos olhando um modelo e conferindo.
- Labirintos. Antes de traçar, a criança passa o dedo e conta qual rota escolheria.
Como adaptar por idade?
| Idade | Propostas | Observações |
|---|---|---|
| 3 a 4 anos | Jogo da memória com 3 a 4 pares, estátua, instruções de dois passos | Sessões de 5 a 10 minutos, muito movimento |
| 5 a 6 anos | Mestre mandou, sequências com cartões, receita ilustrada | Introduzir esperas curtas e trocas de regra |
| 7 a 9 anos | Jogos de tabuleiro, planejamento de projetos, checklists | Dar espaço para criar regras e estratégias |
Para propostas de pequenas, veja atividades para crianças de 4 anos e de 5 anos.
Como o adulto pode apoiar sem fazer pela criança?
- Modele em voz alta. “Vou pensar: primeiro pego o lápis, depois a folha.”
- Faça perguntas, não dê respostas. “O que vem depois?”
- Reduza o apoio gradualmente. Comece apontando, depois só olhando.
- Cuide do ambiente. Menos estímulos, horários mais previsíveis e sono adequado.
- Elogie o processo. “Você lembrou dos dois passos.”
- Tolere erros. Errar faz parte da prática.
O que evitar?
Evite comparar com outras crianças, usar punição por falhas de autocontrole ou prometer que o treino “cura” alguma dificuldade. Também evite sessões longas e repetitivas que tirem o prazer. Excesso de telas pode competir com o sono e com o brincar, e é importante avaliar o contexto familiar; veja brincadeiras sem telas.
Exemplo de semana de jogos executivos
Para tornar o texto mais concreto, veja uma semana simples, com 10 a 15 minutos por dia:
- Segunda: jogo da memória com 6 pares (memória de trabalho).
- Terça: mestre mandou (controle inibitório).
- Quarta: receita ilustrada de lanche (planejamento).
- Quinta: classificar objetos por cor e depois por forma (flexibilidade).
- Sexta: circuito de movimento com duas instruções por estação (memória e atenção).
- Fim de semana: brincadeira livre, sem objetivo, que também desenvolve as funções executivas.
A semana é só uma sugestão. O essencial é que a criança se divirta, que o adulto observe e que o desafio cresça aos poucos. Se uma atividade for difícil demais, volte a uma versão mais simples sem comentar o erro; se estiver fácil demais, acrescente uma regra. Respeite dias de cansaço e de pouca disposição.
Quando buscar ajuda?
Se, apesar de apoios e rotinas, a criança tiver dificuldades persistentes que atrapalhem a vida escolar ou familiar, converse com o pediatra e a escola. Eles podem indicar avaliação com psicólogo, neuropsicólogo, psicopedagogo ou outros profissionais. Atividades para casa são complementares.
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O que são funções executivas?
São habilidades mentais que nos permitem planejar, manter informações na mente, controlar impulsos, prestar atenção e mudar de estratégia diante de uma situação nova. Desenvolvem-se ao longo da infância e da adolescência, com influência do ambiente, do sono, das relações e das oportunidades de brincar.
Como trabalhar a memória de trabalho com crianças?
Com jogos que exigem guardar e usar informação por alguns segundos: jogo da memória, repetir sequências de palmas ou de figuras, seguir instruções de dois passos e contar histórias em ordem. Comece com poucas informações e aumente aos poucos, respeitando o cansaço da criança.
O que é controle inibitório e como brincar?
É a capacidade de frear uma resposta automática, esperar e escolher a ação adequada. Brincadeiras como estátua, mestre mandou, semáforo e jogos de turnos treinam essa habilidade de modo divertido. Comece com regras simples e poucas rodadas.
Crianças com TDAH ou autismo têm mais dificuldade nas funções executivas?
Algumas podem ter, e atividades estruturadas ajudam a oferecer prática e apoio. Mas cada criança é diferente, e o desempenho depende de muitos fatores. Dúvidas sobre desenvolvimento devem ser avaliadas por profissionais de saúde; as brincadeiras são complementos e não tratamento.
Fontes e referências
- UNICEF — Desenvolvimento infantil
- Ministério da Saúde — Desenvolvimento infantil
- MEC — Base Nacional Comum Curricular, Educação Infantil
As propostas práticas são exemplos editoriais do projeto. Não representam certificação pedagógica nem recomendação clínica. Conheça nossa política editorial e envie uma correção.




