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TEA e TDAH · 4 a 10 anos

Termômetro das emoções: como fazer e usar com a criança

Termômetro das emoções para imprimir: como montar, ensinar a criança a indicar a intensidade do que sente e usar estratégias de calma, em casa e na escola.

Para começar

O termômetro das emoções é uma escala visual, de cores ou números, em que a criança aponta a intensidade do que sente, do calmo ao muito forte. Para usar, ensine primeiro nos momentos tranquilos, associe cada nível a sinais do corpo e a uma estratégia de calma, e consulte-o antes da crise. É um apoio educativo para casa e escola, não um tratamento nem um teste.

Termômetro das emoções é uma escala visual, em cores, rostos ou números, na qual a criança indica a intensidade do que sente, do calmo ao muito forte. Para usar, ensine nos momentos tranquilos, ligue cada nível a sinais do corpo e a uma estratégia de calma, e incentive a criança a consultá-lo antes de a emoção transbordar. É apoio educativo.

Muitas crianças sentem a emoção toda de uma vez: de repente estão furiosas, sem perceber que a raiva foi crescendo. O termômetro ajuda a enxergar o “meio do caminho” e a pedir ajuda mais cedo. O Ministério da Saúde e a OMS descrevem diferenças de comunicação e de regulação no autismo, e o UNICEF aponta o desenvolvimento socioemocional como parte essencial da infância; recursos visuais podem dar apoio, mas não substituem profissionais. Este guia traz um passo a passo para criar, ensinar e usar o termômetro, com adaptações. Para quem está começando a falar de sentimentos, comece pelas atividades sobre emoções.

Para que serve o termômetro das emoções?

Ele serve a três objetivos: perceber, comunicar e agir. Perceber que o corpo mudou (coração acelerado, mãos tensas); comunicar o nível em que está, apontando em vez de explodir; e agir com uma estratégia combinada, como respirar, pedir uma pausa ou ir ao cantinho da calma. Também ajuda adultos: em vez de adivinhar o humor da criança, eles veem o que ela indica e podem responder com mais precisão.

Como é a estrutura de um termômetro?

NívelCorComo o corpo senteEstratégia sugerida
1VerdeTranquilo, corpo soltoContinuar o que está fazendo
2AmareloInquieto, tenso, voz mais altaRespirar, beber água, pedir pausa
3LaranjaIrritado, coração rápidoIr ao cantinho da calma, apertar uma bolinha
4VermelhoFora de controle, choro ou gritosEspaço seguro, adulto por perto, silêncio

Adapte nomes, cores e estratégias com a criança. Para as menores, use apenas três níveis.

Como montar o termômetro passo a passo?

1. Desenhe a escala

Materiais: cartolina ou papel A4, canetinhas coloridas, régua.

Como fazer: desenhe um retângulo alto e divida em faixas de cores, do verde ao vermelho. Ao lado de cada faixa, coloque um rosto que represente o nível. Deixe espaço para escrever ou colar a estratégia.

Adaptação: para quem tem dificuldade com muitas cores, use uma escala de tamanhos (pequeno, médio, grande).

2. Associe o corpo

Materiais: espelho, boneco ou desenho de corpo.

Como fazer: peça que a criança mostre onde sente cada emoção: barriga, mãos, rosto. Em cada nível, descreva um sinal. Faça isso brincando, nos momentos tranquilos, e não durante uma crise.

Adaptação: crianças que sentem pouco o próprio corpo podem precisar de sinais externos (voz alta, punhos fechados) antes de perceber os internos.

3. Escolha as estratégias

Materiais: cartões pequenos ou desenhos.

Como fazer: para cada nível, escolham juntas uma ou duas ações. Teste cada uma e veja quais a criança aceita. Coloque a estratégia ao lado do nível.

Adaptação: acrescente recursos sensoriais seguros, como uma almofada ou um objeto macio, se a criança os procura.

4. Treine em momentos calmos

Materiais: o termômetro fixado em local acessível e um marcador (pregador ou ímã).

Como fazer: várias vezes ao dia, pergunte: “onde você está agora?”. A criança move o marcador. Quando o nível for verde, comemore. Faça de conta com bonecos para treinar também os níveis altos, sem pressão.

Adaptação: para crianças que não gostam de perguntas diretas, o adulto pode dizer onde ele próprio está, servindo de modelo.

Como usar nas situações difíceis?

Se a criança parece subir de nível, o adulto pode oferecer o termômetro com calma, apontando-o sem exigir fala. Em níveis altos, não é hora de explicar. Reduza a estimulação, mantenha-se por perto e use poucas palavras. Depois que ela se acalmar, converse: “o que aconteceu? Em que nível você estava? O que ajudou?”. Esse registro vira aprendizado. Para outras estratégias, veja o guia de como lidar com birra. Importante: castigo físico e tratamento humilhante não têm lugar nesse processo, e a Lei nº 13.010/2014 os proíbe.

Como usar o termômetro na escola?

Um termômetro pequeno na mesa ou na pasta permite que a criança sinalize sem expor a emoção diante da turma. O professor pode combinar um gesto ou cartão para pedir pausa, e um local calmo para onde ir. Quando a turma toda usa o recurso, ninguém se sente diferente. O alinhamento entre família e escola, com as mesmas cores e palavras, ajuda a criança a generalizar o aprendizado. Para turmas com alunos que precisam de apoio individualizado, o guia de funções executivas traz propostas de organização e controle de impulsos.

Que estratégias de calma colocar ao lado de cada nível?

As estratégias funcionam melhor quando a própria criança escolhe e quando foram treinadas antes. Algumas possibilidades, para testar e descartar sem pressão:

  • Respiração da vela. Inspirar pelo nariz como quem cheira uma flor e soprar devagar como quem apaga uma vela.
  • Abraço apertado em si mesma. Cruzar os braços e apertar os ombros por alguns segundos.
  • Contagem regressiva. Contar de dez a um, ou de cinco a um para os menores.
  • Beber água devagar. Um gesto simples que interrompe a escalada e acalma o corpo.
  • Cantinho da calma. Um canto com almofadas, livros e um objeto macio, que a criança possa procurar sem ser castigada por isso.
  • Desenhar ou rabiscar. Passar a emoção para o papel antes de falar.

Nem toda estratégia serve para todas as crianças. Algumas se incomodam com o toque, outras com o silêncio. Observe o que a deixa mais tranquila e registre. Se houver terapeuta ocupacional ou psicólogo acompanhando, peça orientação para ajustar as opções, principalmente em crianças com sensibilidades sensoriais. O guia de atividades sensoriais traz ideias seguras para explorar com acompanhamento.

Como fazer um termômetro para cada emoção?

Depois que a criança entende o termômetro geral, vale criar versões para emoções específicas, como “termômetro da raiva”, “da ansiedade” ou “da empolgação”. Cada emoção tem sinais do corpo diferentes e estratégias distintas. Comece com a que mais aparece no dia a dia. Uma criança que se frustra com facilidade pode ter um termômetro de frustração, com o nível mais baixo representado por “mal-humorado” e o mais alto por “quero gritar”. Trocar o nome por palavras da própria criança aumenta a adesão e o sentimento de autoria.

Que erros evitar?

  • Ensinar só na crise. O aprendizado acontece nos momentos calmos.
  • Usar como avaliação. O termômetro não mede “comportamento bom ou mau”.
  • Exigir nível verde. Todos os níveis são válidos; o foco é perceber e pedir ajuda.
  • Muitos níveis ou palavras. Mantenha simples.
  • Esquecer de atualizar. Revise estratégias conforme a criança cresce.

Onde ver modelos?

As amostras gratuitas trazem uma prévia de emoções com páginas reais para imprimir. Assim você avalia o estilo gráfico e a facilidade de uso antes de escolher um modelo.

Como o adulto pode usar o termômetro para si?

O termômetro também serve aos adultos. Quando o responsável nomeia o próprio nível (“estou no amarelo, preciso respirar”), a criança aprende pelo exemplo que todos sentem, percebem e se cuidam. Isso diminui a vergonha de estar no vermelho e mostra estratégias reais em ação. Combine com a família um termômetro único, fixado em local comum, em que cada pessoa possa indicar como está. Cuide para que o recurso nunca seja usado para acusar (“você está no vermelho de novo”): ele existe para pedir e oferecer ajuda, não para julgar o comportamento de ninguém.

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Perguntas frequentes

O que é o termômetro das emoções?

É um recurso visual em forma de escala, parecido com um termômetro, que ajuda a criança a mostrar o quanto sente de uma emoção, como raiva ou ansiedade. Cada nível tem cor, rosto ou número e uma estratégia associada. Serve para perceber o corpo, pedir ajuda e agir antes que a emoção fique muito forte.

Quantos níveis o termômetro deve ter?

Para começar, três níveis costumam bastar: calmo, meio agitado e muito forte, em cores como verde, amarelo e vermelho. Crianças maiores podem usar cinco níveis ou números de 1 a 5. Menos níveis facilitam a compreensão, e dá para detalhar depois, conforme ela aprende.

O termômetro funciona para crianças autistas?

Pode ajudar muitas crianças autistas, porque transforma algo abstrato em imagem concreta. Mas é preciso ensinar com calma, usar imagens que façam sentido para a criança e combinar o recurso com os profissionais que a acompanham. Algumas crianças precisam de mais tempo ou de outro formato para identificar sensações do corpo.

O que fazer quando a criança está no nível mais alto?

Nesse momento, ela não aprende nem argumenta. Reduza estímulos, fale pouco, ofereça um espaço seguro e espere. A conversa e o uso do termômetro ficam para depois que a criança se acalmar. Estratégias de calma precisam ser treinadas nos momentos tranquilos, para que estejam disponíveis quando for preciso.

Fontes e referências

  1. Ministério da Saúde — Autismo
  2. UNICEF — Desenvolvimento infantil
  3. OMS — Autism spectrum disorders

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