Atividades sobre bullying na educação infantil não precisam usar a palavra com crianças pequenas. O foco está no que as sustenta: respeito pelo corpo e pelos sentimentos do outro, cooperação, empatia e coragem de pedir ajuda. Os adultos, por sua vez, precisam conhecer o conceito legal e saber quando e como agir.
O que é bullying segundo a lei?
A Lei nº 13.185, de 6 de novembro de 2015, institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). Ela considera intimidação sistemática todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo, que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidar ou agredir, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes. A lei também trata de atos de humilhação e discriminação.
Na primeira infância, muitas situações são conflitos pontuais: duas crianças disputam um brinquedo, uma empurra a outra, uma diz “não vou brincar com você”. Isso exige mediação, mas nem sempre é bullying. A repetição e o desequilíbrio de poder fazem a diferença, e quem avalia cada caso é a equipe pedagógica junto com as famílias.
Por que trabalhar o tema desde cedo?
Porque os pilares da prevenção são aprendidos cedo. A BNCC destaca o conviver, o respeito às diferenças e a expressão dos sentimentos. Uma criança que sabe nomear o que sente, reconhece o que machuca e conhece adultos de confiança está mais preparada para lidar com conflitos. Atividades de emoções, amizade e convivência são, na prática, formas de prevenção.
Outro ponto importante: crianças que agridem também precisam de cuidado. Em vez de rotular (“ele é mau”), busque entender o que está por trás do comportamento e ensine alternativas.
Quais atividades fazer?
1. Termômetro das emoções
Materiais: cartões de rostos (feliz, triste, bravo, assustado), cartolina com setas.
Passo a passo: em roda, apresente os rostos e peça que cada criança aponte como está se sentindo e por quê. Depois, conte uma situação (“alguém não deixou o amigo brincar”) e pergunte como o amigo pode ter se sentido. Aprender a nomear emoções é a base para entender o outro. Cartas gratuitas do acervo estão em amostras, e são complementares.
Faixa etária: 3 a 8 anos.
Adaptação: para crianças que falam pouco, use apenas apontar. Os maiores podem escrever uma palavra para cada emoção.
2. Fantoches: dizer “para, não gostei”
Materiais: fantoches de meia ou de papel, cenário simples.
Passo a passo: encene uma situação em que um fantoche pega o brinquedo do outro sem pedir. Pergunte às crianças o que o fantoche chateado poderia dizer. Pratique frases como “para, eu não gostei” e “me devolve, por favor”. Depois, deixe-as encenar. Em seguida, mostre como buscar um adulto: “professora, preciso de ajuda”.
Faixa etária: 4 a 7 anos.
Adaptação: quem tem medo de conflitos pode assistir primeiro e participar depois. Evite colocar uma criança real da turma como exemplo.
3. Mapa dos adultos de confiança
Materiais: folha, canetas, fotos ou desenhos dos adultos da escola.
Passo a passo: a criança desenha ou cola fotos de três adultos a quem pode recorrer: na sala, no pátio, em casa. Em roda, conversa sobre o que pode contar a eles. Reforce que pedir ajuda não é fraqueza, e que contar sobre algo que machuca é uma atitude de coragem. A família recebe uma cópia para reforçar em casa.
Faixa etária: 4 a 8 anos.
Adaptação: crianças que mudam de ambiente podem fazer um mapa para cada lugar. Para os que não leem, use apenas desenhos.
4. Brincadeiras cooperativas
Materiais: lençol, bolas, cordas.
Passo a passo: proponha jogos em que o grupo ganha junto: levar uma bola no lençol sem cair, carregar uma bola em uma corda. Quando uma criança erra, a turma incentiva. O adulto comenta o que viu: “vocês se ajudaram”. Isso treina cooperação e pertencimento, essenciais contra a exclusão.
Faixa etária: 3 a 8 anos.
Adaptação: adapte espaço e tempo para quem se cansa fácil. Evite jogos de eliminação, que podem expor quem sempre sai primeiro.
5. Livro sobre diferenças
Materiais: um livro infantil que fale de aparência, jeito ou origem diferentes de forma respeitosa.
Passo a passo: leia com pausas: “como ele se sentiu?”, “o que os amigos poderiam fazer?”. Depois, peça que cada criança desenhe algo que a torna única. Exponha todos juntos. A mensagem é que as diferenças fazem parte da turma e que ninguém deve ser zombado por ser como é.
Faixa etária: 4 a 8 anos.
Adaptação: quem tem dificuldade para concentrar-se na leitura pode ouvir em pequenos grupos. Não exponha crianças com características específicas como exemplo.
6. Combinados de convivência
Materiais: cartolina, canetas, adesivos.
Passo a passo: construa com a turma três combinados positivos, como “nos tratamos com gentileza”, “pedimos ajuda quando precisamos” e “escutamos quando o outro fala”. As crianças ilustram e assinam. Revise com frequência e ajuste quando preciso. Quando os acordos nascem do grupo, tendem a ser mais respeitados. Veja também sobre birra e limites.
Faixa etária: 4 a 8 anos.
Adaptação: use imagens para os menores. Para quem tem dificuldade de se autorregular, uma ajuda individual, como um sinal combinado, pode reforçar o combinado.
Como adaptar por idade?
| Idade | Foco | Como propor |
|---|---|---|
| 3 a 4 anos | Nomear sentimentos | Termômetro, brincadeiras cooperativas |
| 5 anos | Dizer “para” | Fantoches, frases prontas |
| 6 anos | Pedir ajuda | Mapa de adultos, combinados |
| 7 a 8 anos | Refletir | Livros, debates curtos, diário de emoções |
Quais sinais de alerta observar?
Alguns sinais podem indicar que a criança passa por situações difíceis, mas também podem ter outras causas: não querer ir à escola, tristeza persistente, irritação, pesadelos, queixas de dor sem explicação, perda de objetos ou roupas danificadas, isolamento e queda de interesse nas atividades. Quando notar, acolha e pergunte com calma: “aconteceu algo que te deixou mal?”. Evite interrogatórios e frases como “reaja” ou “bata de volta”.
Procure a escola, registre os fatos de maneira objetiva e peça que a equipe acompanhe. Se houver sofrimento intenso, converse com pediatra ou psicólogo. A criança que agride também precisa de atenção, escuta e orientação.
Quais cuidados tomar?
Não rotule as crianças (“valentão”, “vítima”). Não obrigue pedidos de desculpas vazios; ajude a reparar o que foi feito. Não exponha uma criança diante da turma. Evite punições coletivas e piadas sobre aparência, que normalizam a humilhação. Também é fundamental que adultos deem o exemplo: respeitar, escutar e pedir desculpas quando erram. Se as situações forem graves, envolva a gestão da escola e os órgãos competentes.
O que observar nas crianças
Repare quem é frequentemente excluído, quem se isola no pátio, quem usa palavras que machucam e como a turma reage. Registre exemplos concretos, com datas, sem julgamentos. Essas anotações ajudam a escola a agir de forma coordenada com as famílias.
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O que a lei brasileira considera bullying?
A Lei nº 13.185/2015, que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, define bullying como ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo, sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo contra outras pessoas, para intimidar ou agredir, em uma relação de desequilíbrio de poder.
Toda briga entre crianças pequenas é bullying?
Não. Discussões e empurrões pontuais são comuns em crianças pequenas, que estão aprendendo a dividir e a controlar impulsos. O que caracteriza o bullying, pela lei, é a repetição, a intenção e o desequilíbrio de poder. Mesmo quando não é bullying, a escola deve acolher e orientar as crianças envolvidas.
Quais sinais indicam que uma criança pode estar sofrendo bullying?
Mudanças de comportamento, como recusar ir à escola, tristeza, pesadelos, queixas de dor sem causa clara, objetos que somem ou machucados sem explicação. Esses sinais também podem ter outras causas. O caminho é conversar com a criança, acolher e procurar a escola e, se preciso, o pediatra ou psicólogo.
Como ensinar uma criança pequena a pedir ajuda?
Combine com ela quem são os adultos de confiança na escola e em casa, ensine frases curtas como “não gostei, para” e “preciso de ajuda” e treine com fantoches. Deixe claro que contar não é “dedurar” e que o adulto vai cuidar da situação com respeito, sem expô-la.
Fontes e referências
- Planalto — Lei nº 13.185/2015 (Programa de Combate à Intimidação Sistemática)
- MEC — Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental
- UNICEF Brasil — Desenvolvimento infantil
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