Menos telas. Mais descobertas. Experimente uma atividade grátis
TEA e TDAH · 5 a 12 anos

Atividades para autismo nível 1: social e flexibilidade

Atividades para autismo nível 1: propostas de habilidades sociais, flexibilidade e organização para crianças que precisam de apoio, com adaptações.

Para começar

No DSM-5-TR, o nível 1 descreve pessoas autistas que exigem apoio, em geral na iniciativa social, na flexibilidade e na organização. As atividades aqui trabalham conversa, turnos, flexibilidade e emoções, de forma lúdica. Não classificam crianças: a avaliação do nível cabe a profissionais, e cada criança precisa de um apoio próprio, ajustado à rotina.

Atividades para autismo nível 1 trabalham, de forma lúdica, a conversa, os turnos, a flexibilidade e a organização. No DSM-5-TR, o nível 1 corresponde a quem exige apoio, em geral na iniciativa social e na adaptação a mudanças. A avaliação do nível é feita por profissionais, e cada criança precisa de apoio próprio.

Este guia não classifica nenhuma criança. O Ministério da Saúde e a OMS destacam a grande variação do espectro, e muitos profissionais evitam termos como leve ou moderado, porque o esforço e o cansaço nem sempre aparecem. O guia sobre níveis de suporte no autismo explica o conceito, e as atividades abaixo servem como ponto de partida para adaptar com a criança.

O que costuma exigir apoio nessa faixa?

Em linhas gerais, as dificuldades descritas são: iniciar e manter conversas, interpretar sinais sociais sutis, lidar com mudanças de plano, organizar tarefas e lidar com a frustração. Ao mesmo tempo, é comum haver muitas habilidades: vocabulário rico, memória, atenção a detalhes e interesses profundos. Muitas pessoas se esforçam bastante para se adaptar e podem chegar cansadas em casa. O apoio, nesse caso, passa por tornar as regras sociais mais explícitas e criar espaços de descanso.

ÁreaPossível necessidade de apoioIdeia de apoio
ConversaIniciar e manterRoteiros e cartões de assunto
FlexibilidadeMudanças de planoAviso prévio e plano B
OrganizaçãoTarefas longasListas e etapas visuais
EmoçõesNomear e regularTermômetro e cantinho de pausa

Atividade 1: Roteiro de conversa com cartões

Materiais: cartões com perguntas simples (“do que você gosta de brincar?”, “o que fez no fim de semana?”) e uma caixinha.

Como fazer: a criança sorteia um cartão e responde. Depois, faz a pergunta para o colega ou adulto. O objetivo é praticar o ciclo de perguntar, ouvir e responder, de forma previsível e sem pressão. Cada rodada pode ter um tema.

Adaptação: crianças que preferem escrever podem usar um quadro para as respostas. Quem se cansa rápido pode fazer apenas duas rodadas. O guia de habilidades sociais traz outras propostas.

Atividade 2: Jogo de regras que mudam

Materiais: um jogo simples (memória, dominó, bingo) e um cartão “nova regra”.

Como fazer: jogue algumas rodadas da forma tradicional. Depois, combine antes uma pequena mudança, como “agora quem tem a figura azul joga duas vezes”. Experimente a nova regra e converse sobre como foi. Aumente a complexidade aos poucos.

Adaptação: se a mudança gerar muito desconforto, volte à regra original e tente de novo em outro dia, com mais antecipação. O guia do jogo da memória tem variações.

Atividade 3: Plano A, plano B

Materiais: uma folha dividida em duas colunas e figuras de atividades.

Como fazer: ao planejar uma atividade, escreva ou cole a imagem do plano A e, ao lado, do plano B. Explique que, se algo não der certo, existe uma alternativa. Pratique com situações pequenas: se chover, brincamos dentro; se o brinquedo estiver emprestado, usamos outro.

Adaptação: com crianças que ficam muito ansiosas, comece com planos B muito atraentes e aumente a variedade aos poucos.

Atividade 4: Detetive de emoções

Materiais: fotos de expressões faciais, cartas de emoções e papel.

Como fazer: mostre uma foto e peça que a criança diga o que a pessoa pode estar sentindo e por quê. Converse sobre pistas: boca, olhos, postura, contexto. Reconheça que as pessoas expressam emoções de maneiras diferentes. Veja o guia de atividades sobre emoções.

Adaptação: para quem tem dificuldade em ler rostos, use histórias curtas e peça que deduza pelo que aconteceu.

Atividade 5: Planejando o meu projeto

Materiais: papel, canetinhas e uma lista de etapas com caixas para marcar.

Como fazer: escolha um projeto de interesse da criança, como montar uma maquete. Divida em etapas, estime o tempo e marque cada conclusão. O trabalho com metas pequenas desenvolve organização e senso de conquista. O guia de funções executivas aprofunda esse tema.

Adaptação: quem se frustra com erros pode ter um “espaço para rascunhos”, onde tudo é permitido.

Como apoiar o descanso e o cansaço social?

Muitas crianças com mais habilidade verbal gastam bastante energia para se adaptar ao ambiente escolar e à convivência. Ao chegar em casa, podem precisar de silêncio, de seus interesses e de pouca exigência. Respeite esse tempo e evite perguntas demais logo na saída. Combine com a escola pausas planejadas, como ajudar na biblioteca ou ficar em um espaço tranquilo no recreio. Isso não é privilégio: é um apoio que previne sobrecarga.

E a escola e os amigos?

Converse com o professor sobre papéis claros em trabalhos de grupo, regras explícitas no recreio e adultos de referência. Ajude a criança a encontrar colegas com interesses parecidos. Ensine regras sociais com explicações, e não como imposições (“quando alguém está ocupado, esperamos um momento”). Se houver bullying, procure a escola imediatamente. O guia de autismo na escola detalha direitos e estratégias.

Como lidar com o mascaramento e o esforço invisível?

Muitas crianças que falam bem e se saem razoavelmente na escola aprendem a imitar comportamentos dos colegas para se encaixar. Esse esforço, às vezes chamado de mascaramento, pode ser cansativo e, a longo prazo, afetar o bem-estar. Sinais possíveis: explosões em casa depois de dias calmos na escola, cansaço extremo, ansiedade antes de eventos sociais e dificuldade em dizer o que sente. Em vez de elogiar apenas “parece que não tem nada”, reconheça o esforço e ofereça momentos para ser quem é. Converse com psicólogo se a situação preocupar.

Ensine que existem várias formas de se relacionar e que não há problema em precisar de pausas ou em gostar de poucos amigos. Valorize os interesses da criança e ajude-a a encontrar grupos em que possa compartilhá-los, como clubes de leitura, xadrez ou robótica. O sentimento de pertencer a um grupo em que é aceita costuma fazer muita diferença.

Como trabalhar a flexibilidade no dia a dia?

A flexibilidade cresce com pequenas experiências seguras. Altere um detalhe da rotina por vez: um caminho diferente para a escola, um novo sabor de lanche, uma troca de lugar na mesa. Avise antes, explique o motivo e ofereça uma escolha. Comemore a adaptação e converse sobre como foi. Nos jogos, use regras que mudam de forma combinada. Em casa, crie o “dia surpresa” da semana, em que a criança escolhe entre duas surpresas pequenas e positivas. A previsibilidade continua sendo a base, e a flexibilidade é construída em cima dela.

Se a criança reage com muita angústia, volte um passo e reduza o tamanho da mudança. Nada de forçar: o objetivo não é fazer com que ela “aguente” qualquer coisa, e sim ampliar suas possibilidades com apoio. Registre as situações que mais pesam e compartilhe com a equipe de saúde, que pode sugerir estratégias individualizadas.

Quando procurar apoio de profissionais?

Procure o pediatra e a equipe multiprofissional quando houver sofrimento intenso, isolamento, recusa escolar, sinais de ansiedade ou tristeza persistentes, ou dificuldades que atrapalham a aprendizagem. Psicólogo, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo podem trabalhar habilidades sociais, comunicação pragmática e regulação. O diagnóstico, o nível de suporte e as condutas terapêuticas são definidos por eles, e esses apoios fazem parte dos direitos previstos na Lei 12.764/2012.

Como registrar o que funciona?

Um caderno de “estratégias que funcionam” ajuda a família e a escola a manterem coerência. Anote a situação, o apoio usado e o resultado, por exemplo: “aviso de cinco minutos antes do recreio, menos resistência para guardar o material”. Reveja o caderno a cada mês e escolha uma ou duas estratégias para reforçar. Compartilhe com os profissionais, que poderão sugerir ajustes. Esse hábito transforma tentativas isoladas em um repertório de apoios consistente.

Material de apoio para imprimir

Cartões de emoções, roteiros e quadros de planejamento do kit podem ser adaptados à rotina. Veja a amostra gratuita e a página do kit. Kit TEA & TDAH na Prática: +440 recursos lúdicos, a partir de R$ 19,90. É material de apoio, e não substitui avaliação nem terapia.

Se quiser ir além

Recursos prontos para o atendimento e a rotina.

Mais de 440 recursos lúdicos em PDF para psicopedagogos, terapeutas, professores de AEE e famílias organizarem atividades com crianças com TEA e TDAH: rotinas visuais, cartões, pranchas e fichas para imprimir. Conheça a oferta, veja o que está incluído e escolha com calma.

a partir de R$ 19,90

Conhecer o Kit TEA e TDAH

Perguntas frequentes

O que significa nível 1 de suporte?

No DSM-5-TR, nível 1 significa que a pessoa autista exige apoio. Em geral, há dificuldades de iniciar interações, de lidar com mudanças e de se organizar, mas a comunicação verbal costuma estar presente. O nível é definido por profissionais, varia com o contexto e não mede inteligência nem a necessidade real de cada criança.

Autismo nível 1 é o mesmo que autismo leve?

Não. Os níveis descrevem a necessidade de apoio, e não a gravidade da pessoa. Quem está no nível 1 pode ter muito sofrimento com barulho, mudanças ou cobrança social, e isso nem sempre é visível. Por isso, evite usar a palavra leve e valorize a experiência da criança.

Quais atividades ajudam na flexibilidade?

Jogos com pequenas mudanças de regra combinadas antes, histórias com finais diferentes, rotinas com um espaço de surpresa planejada e atividades de escolha. Comece com alterações pequenas, avise antes e comemore a tentativa. O objetivo é ampliar o repertório da criança aos poucos, sem forçar.

O que fazer se a criança não quer participar de grupos?

Respeite o desejo de privacidade e ofereça formas graduais de participação, como observar, ajudar com uma tarefa ou brincar com um colega de cada vez. Interesses em comum ajudam. Evite forçar o contato e converse com a escola sobre momentos de pausa durante as atividades coletivas.

Fontes e referências

  1. Ministério da Saúde — Autismo
  2. OMS — Autism spectrum disorders
  3. Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012)

As propostas práticas são exemplos editoriais do projeto. Não representam certificação pedagógica nem recomendação clínica. Conheça nossa política editorial e envie uma correção.

A descoberta continua

Outras ideias para o seu momento.

Ver todas