Atividades do Dia do Amigo são uma oportunidade de ensinar, de forma concreta, o que significa conviver: dividir, esperar a vez, perguntar “posso brincar?” e se importar com quem está ao lado. O objetivo não é ter um melhor amigo, e sim aprender a ser gentil e a cooperar.
Quando trabalhar o Dia do Amigo?
No Brasil, o Dia do Amigo é popularmente lembrado em 20 de julho. A ideia nasceu na Argentina e se espalhou por vários países da América Latina, mas não há lei nacional que determine a data. Já a ONU proclamou o Dia Internacional da Amizade em 30 de julho. Como as duas datas caem em período de férias escolares na maior parte do país, muitas escolas escolhem uma semana próxima, antes ou depois do recesso.
Como o assunto da amizade não depende de calendário, o guia serve o ano todo, em especial em início de ano, depois da adaptação escolar, ou quando chegam crianças novas à turma.
Por que trabalhar amizade na educação infantil?
A Base Nacional Comum Curricular apresenta o conviver, o brincar e o participar como direitos de aprendizagem. A amizade na primeira infância é um aprendizado: a criança descobre que o outro tem vontades diferentes, que desacordos acontecem e que é possível reparar uma briga. Isso envolve empatia, linguagem e controle de impulsos, tema ligado às atividades sobre emoções.
Convém lembrar que cada criança tem seu ritmo. Algumas brincam em paralelo até os 3 ou 4 anos, e a brincadeira em grupo vai surgindo aos poucos. Não é atraso, é desenvolvimento.
Quais atividades do Dia do Amigo fazer?
1. Pulseira da amizade
Materiais: fios de lã ou barbante grosso, contas grandes (apenas para maiores de 4 anos), tesoura sem ponta.
Passo a passo: em duplas, a criança faz uma pulseira para o colega, trançando três fios ou enfiando contas grandes. Ao entregar, diz uma frase gentil, como “eu gosto de brincar com você”. Cada um recebe uma pulseira e todos participam. A atividade treina coordenação fina e gesto de presentear.
Faixa etária: 4 a 6 anos.
Adaptação: para os menores, use fitas de tecido já cortadas e apenas amarre no pulso. Evite contas pequenas para menores de 3 anos, pelo risco de engasgo.
2. Jogo da gentileza
Materiais: cartões com desenhos de gestos gentis (emprestar um brinquedo, ajudar a guardar, dar um abraço), um saquinho.
Passo a passo: cada criança sorteia um cartão e pratica o gesto com alguém na turma ao longo do dia. À tarde, em roda, cada um conta o que fez e como se sentiu. Valorize o esforço e não a perfeição. Não é preciso premiar.
Faixa etária: 3 a 6 anos.
Adaptação: crianças que falam pouco podem mostrar o cartão e fazer o gesto. Para os mais velhos, crie cartões em branco para desenharem gentilezas novas.
3. Mural coletivo dos amigos
Materiais: papel craft grande, tintas, pincéis, aventais.
Passo a passo: forre uma parede ou mesa com papel e proponha uma pintura em que todos contribuem: cada um pinta uma parte e depois a turma une as partes com linhas e cores. Combine antes que todos devem ter espaço e que podem pedir “posso pintar aqui?”. A cooperação se torna visível.
Faixa etária: 3 a 6 anos.
Adaptação: quem não gosta de sujar as mãos usa rolinho. Crianças que se sentem desconfortáveis com muitas pessoas pintam em horários diferentes.
4. Cartas para um colega
Materiais: papel, lápis de cor, adesivos, envelopes.
Passo a passo: por sorteio, cada criança escolhe um colega para quem fazer um desenho ou carta, destacando algo de que gosta nele. O adulto garante que todos recebam algo. Em roda, entregam e leem juntos. É uma ótima chance de reforçar a leitura de imagens e a escrita do nome, em sintonia com atividades do nome próprio.
Faixa etária: 4 a 6 anos.
Adaptação: crianças que ainda não escrevem podem ditar. Quem tem dificuldade para elogiar pode escolher um adesivo que “combine” com o colega.
5. Teatro de fantoches sobre conflitos
Materiais: meias ou saquinhos de papel, canetas, lã.
Passo a passo: os adultos encenam uma situação comum: dois fantoches querem o mesmo brinquedo. Pergunte às crianças como resolver. Elas sugerem soluções (revezar, brincar juntos, pedir ajuda), e o adulto encena as ideias. Depois, as crianças podem encenar com os próprios fantoches. Isso treina resolução de problemas.
Faixa etária: 4 a 6 anos.
Adaptação: com crianças muito sensíveis a conflitos, comece com cenas mais leves, como compartilhar lanche. Evite exemplos que ridicularizem alguém da turma.
6. Brincadeiras cooperativas
Materiais: um lençol, bolas leves, cordas, bambolês.
Passo a passo: segurando o lençol pelas pontas, todos tentam fazer uma bola rolar sem cair. Outra proposta é passar um bambolê de mão em mão sem soltar as mãos. O desafio é do grupo, e o sucesso vem da combinação de movimentos. Para mais ideias, veja brincadeiras sem telas.
Faixa etária: 3 a 6 anos.
Adaptação: adapte a altura e o espaço para crianças com mobilidade reduzida. Quem se cansa rapidamente pode ser o “cronômetro” ou o “contador de voltas”.
Como ajustar por idade
| Idade | Foco | Como propor |
|---|---|---|
| 3 anos | Brincar ao lado | Mural coletivo, gestos de carinho, bolas no lençol |
| 4 anos | Pedir e oferecer | “Posso brincar?”, pulseiras em duplas |
| 5 anos | Combinar | Fantoches, resolução de conflitos |
| 6 anos | Refletir | Cartas, roda de conversa sobre amizade |
Quais cuidados tomar?
Evite eleger “o melhor amigo da turma”, fazer rankings ou sorteios que deixem alguém de fora. Garanta que cada criança receba uma carta ou presente. Fique atento a situações de exclusão, que podem ser sinal de que alguém precisa de ajuda; se houver agressões repetidas, consulte o guia sobre bullying e converse com a equipe pedagógica e as famílias.
Cuidado também com peças pequenas, tintas não atóxicas e fios soltos, que podem causar acidentes. Uma pulseira muito apertada pode machucar, então teste o ajuste.
O que observar nas crianças
Repare se a criança convida outras para brincar, espera a vez, percebe quando alguém está triste e procura ajudar. Anote exemplos concretos: “hoje o Pedro emprestou a pá para a Lia”. Essas observações ajudam a identificar progressos e dificuldades, sem comparar crianças entre si.
Como levar o tema para casa
Sugira que a família converse sobre amigos de infância, mostre fotos e pergunte à criança: “o que você mais gosta de fazer com seus colegas?”. Evite perguntar “quem brincou com você?”, que pode gerar ansiedade. Uma boa prática é combinar encontros curtos de brincadeira em casa ou no parque, com duas ou três crianças.
Como montar uma semana da amizade?
Para quem quer ir além de um dia, uma sequência possível é: na segunda, jogo da gentileza; na terça, mural coletivo; na quarta, brincadeiras cooperativas no pátio; na quinta, cartas para um colega; na sexta, teatro de fantoches e uma roda final para conversar sobre o que a turma aprendeu. Cada encontro dura de vinte a trinta minutos. Ao final, retome os combinados e pergunte às crianças o que querem manter na rotina depois da data, para que a gentileza continue durante o ano.
Para continuar
Veja o guia de atividades sobre amizade para ampliar o tema além da data, e também atividades sobre emoções e atividades sobre família. As folhas gratuitas de formas das amostras são complementares e servem para criar cartões.
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Quando é o Dia do Amigo no Brasil?
No Brasil, o Dia do Amigo é popularmente lembrado em 20 de julho, data de origem argentina que se espalhou pela América Latina. Não existe lei nacional que a fixe. A ONU sugere o Dia Internacional da Amizade em 30 de julho, e muitas escolas escolhem qualquer dia próximo.
Toda criança precisa ter um melhor amigo?
Não. Algumas crianças têm vários colegas de brincadeira, outras preferem um amigo só, outras levam tempo para criar vínculos. Todas as formas são válidas. Evite perguntas como “quem é seu melhor amigo?” em público e valorize a convivência, não a quantidade.
Como ajudar uma criança que tem dificuldade para fazer amigos?
Crie ocasiões de brincadeira em pares ou trios, com um interesse em comum, e observe sem forçar. Ensine frases simples, como “posso brincar?”. Se a dificuldade for intensa e persistente, converse com a família e, se necessário, com pediatra ou psicólogo, sem rotular a criança.
Que atividades de amizade evitam competição?
As cooperativas, em que o objetivo é do grupo: pintar um mural coletivo, carregar um lençol com bolas sem deixar cair, construir uma torre juntos. Evite eleger o amigo do ano ou fazer votações de popularidade, que podem magoar quem recebe menos escolhas.
Fontes e referências
- MEC — Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental
- UNICEF Brasil — Desenvolvimento infantil
- MEC — Caderno de práticas da Educação Infantil (BNCC)
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