Atividades do Dia da Paz na educação infantil tornam concreta uma palavra grande: paz é esperar a vez, ouvir o colega, pedir desculpas, dividir o brinquedo e acolher quem chega. Com gestos práticos e histórias curtas, a criança vê que pode construir paz todos os dias.
Quando trabalhar o Dia da Paz?
A data internacional da ONU é 21 de setembro, o Dia Internacional da Paz, segundo a ONU Brasil. Existe também o Dia Mundial da Paz, lembrado em 1º de janeiro por tradição da Igreja Católica, criado em 1967. Na escola, setembro costuma ser a escolha por ser internacional e fora das férias. O tema vale o ano todo, porque convivência se aprende no dia a dia, e o projeto pode ocupar uma semana.
Por que falar de paz com crianças pequenas?
Paz, para a criança, é algo que se vê nas relações: como o grupo resolve os conflitos e como se cuida de quem se machuca. A BNCC destaca “O eu, o outro e o nós”, com respeito às diferenças e resolução de conflitos. Este guia dialoga com as habilidades sociais, as atividades sobre emoções e a prevenção do bullying. A prática, mais do que o discurso, ensina o que é conviver bem.
Quais atividades do Dia da Paz fazer?
1. Respiração da calma
Materiais: cadeiras em roda, almofadas, um sininho.
Passo a passo: sentados, todos inspiram pelo nariz como quem cheira uma flor e expiram pela boca como quem sopra uma vela. Repita três vezes ao toque do sino. Depois pergunte: como seu corpo está agora? Use a respiração em momentos de agitação ou antes de resolver um conflito.
Faixa etária: 3 a 6 anos.
Adaptação: para quem se incomoda com silêncio, faça com música suave. Crianças com dificuldade de ficar sentadas respiram em pé ou deitadas.
2. Pombas de papel
Materiais: papel branco, tesoura sem ponta, giz de cera, barbante.
Passo a passo: o adulto prepara moldes de pomba, e cada criança colore, escreve ou ditam uma palavra de paz (amizade, abraço, respeito). Pendure as pombas formando um móbile. Cada criança explica a palavra que escolheu. A data fica visível na sala por vários dias.
Faixa etária: 3 a 6 anos.
Adaptação: quem não recorta usa pombas prontas. Os maiores escrevem a palavra sozinhos.
3. Jardim da gentileza
Materiais: papel cartão, tinta, flores de papel, um vaso ou painel.
Passo a passo: sempre que alguém faz um gesto gentil, como ajudar, dividir ou consolar, a criança ganha uma flor de papel e a cola no “jardim”. No fim da semana, olhem o jardim e contem quantas flores nasceram. Não é um concurso: a ideia é perceber gentilezas.
Faixa etária: 4 a 6 anos.
Adaptação: garanta que todos ganhem flores, observando quem fica de fora. Pequenos recebem a flor do adulto.
4. Combinados de paz
Materiais: cartolina, canetas, fotos da turma.
Passo a passo: pergunte o que ajuda a viver em paz: ouvir, falar baixo, não bater, pedir ajuda. Escreva as respostas em forma de frases positivas. Cada criança assina. Revise o cartaz sempre que houver conflito, relembrando o que combinaram.
Faixa etária: 4 a 6 anos.
Adaptação: use imagens para quem não lê. Mantenha as regras curtas e poucas.
5. Resolvendo conflitos com bonecos
Materiais: dois bonecos ou fantoches, caixa.
Passo a passo: o adulto encena um conflito simples, como dois bonecos que querem o mesmo brinquedo. Pergunte: como se sentem? O que poderiam fazer? A criança sugere soluções e testa com os bonecos: revezar, brincar junto, pedir ajuda. Valorize ideias variadas.
Faixa etária: 3 a 6 anos.
Adaptação: para crianças que se envolvem demais, use bonecos neutros. Os maiores podem inventar suas próprias histórias.
6. Cartas de acolhida
Materiais: papel, lápis de cor, envelopes.
Passo a passo: a turma escreve ou desenha cartas para alguém que precisa de carinho: um colega que mudou de escola, um idoso, um funcionário. Entregue pessoalmente ou envie. A atividade mostra que paz também é cuidar de quem está longe ou sozinho.
Faixa etária: 4 a 6 anos.
Adaptação: quem não escreve desenha. Evite expor crianças que não queiram compartilhar o conteúdo.
Como lidar com conflitos durante a semana?
Conflitos vão aparecer, e são oportunidades. Pare a cena com calma, afaste os objetos que podem machucar e ouça cada criança. Nomeie sentimentos (“você ficou bravo porque ele pegou o carrinho”) e pergunte o que podem fazer. Ajude a combinar uma reparação, como pedir desculpas com palavras ou gestos. Evite forçar um pedido de desculpa vazio e não exponha publicamente quem errou.
Como montar uma semana de projeto?
Segunda: respiração da calma e conversa sobre o que é paz. Terça: pombas de papel e início do jardim da gentileza. Quarta: combinados de paz. Quinta: resolução de conflitos com bonecos. Sexta: cartas de acolhida e roda de encerramento, em que cada criança conta um gesto de paz que fez. Cada atividade dura de quinze a vinte minutos, intercalada com brincadeiras livres. O mais importante é que os gestos continuem depois da semana, com lembretes visuais na sala.
Como lidar com crianças que vivem situações de violência?
Algumas crianças convivem com brigas e agressões em casa ou na comunidade. A escola pode ser um lugar seguro, onde conflitos são resolvidos com palavras. Observe mudanças de comportamento, acolha sem interrogar e acione a coordenação e a rede de proteção quando houver sinais de risco. Evite exigir que a criança fale. Atividades como a respiração, o cartaz de combinados e o jardim da gentileza dão referências de convivência pacífica, mas não substituem o apoio especializado.
Como ajustar por idade
| Idade | Foco | Como propor |
|---|---|---|
| 3 anos | Gestos gentis | Respiração, pombas, abraços |
| 4 anos | Combinar | Cartaz de combinados, jardim |
| 5 anos | Resolver | Bonecos, rodas de conversa |
| 6 anos | Cuidar do outro | Cartas, ações de acolhida |
Como avaliar o projeto?
Observe, ao longo das semanas seguintes, se os gestos aparecem no cotidiano: alguém oferece o brinquedo, usa a respiração, pede ajuda em vez de bater. Reveja o cartaz de combinados e pergunte se ele ainda faz sentido. Registre exemplos concretos, como “hoje o Pedro esperou a vez sem reclamar”. A avaliação deve valorizar o progresso e não comparar crianças. O objetivo é que a convivência pacífica se torne um hábito do grupo.
Quais cuidados tomar?
Evite histórias de violência explícita ou notícias de guerra. Se uma criança trouxer experiências difíceis, acolha e converse com a coordenação, sem interrogar. Garanta que ninguém seja obrigado a abraçar ou tocar. Em atividades com tesoura, use modelos sem ponta. Respeite crianças de diferentes crenças e não associe paz a uma religião específica.
O que observar nas crianças
Veja se a criança usa palavras para resolver conflitos, nomeia o que sente, consola o outro e aceita esperar. Observe também quem tem dificuldade de se regular e precisa de apoio individual.
Como aproveitar a data com as famílias?
Envie um convite simples para que cada família converse em casa sobre um gesto de paz que pratica, como ouvir sem interromper ou pedir desculpas. A criança traz um desenho ou uma frase e cola no painel. Quem preferir pode apenas contar oralmente. Evite pedir doações ou materiais. A ideia é aproximar casa e escola em torno de valores de convivência, respeitando os diferentes modos de cada família viver a paz.
Para continuar
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Quando é o Dia da Paz: 1º de janeiro ou 21 de setembro?
São duas datas diferentes. O Dia Internacional da Paz da ONU é 21 de setembro. O Dia Mundial da Paz, lembrado em 1º de janeiro, foi instituído pela Igreja Católica em 1967 e comemorado a partir de 1968. Na escola, a data de setembro é a mais usada, por ser laica e internacional.
Como explicar paz para crianças pequenas?
Use exemplos do dia a dia: brincar sem machucar, dividir, ouvir o colega, pedir desculpas, ajudar. Paz é um jeito de conviver, não apenas ausência de guerra. Evite temas assustadores como conflitos armados e foque em gestos que a criança pode fazer e perceber.
E se houver brigas durante a atividade?
Aproveite como aprendizado. Pare com calma, ouça os dois lados, nomeie o que cada um sentiu e ajude a encontrar uma solução. Evite castigos e comparações. O objetivo é praticar a conversa e a reparação, e não exigir perfeição ou silêncio.
Como falar de guerra se a criança perguntar?
Responda com honestidade e simplicidade, sem detalhes assustadores: “em alguns lugares há conflitos, e muitas pessoas trabalham para ajudar e para que acabem”. Pergunte o que ela sabe e o que sente, e reforce que ela está segura e que adultos cuidam dela.
Fontes e referências
- ONU Brasil — Dia Internacional da Paz
- MEC — Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental
- MEC — Caderno de práticas da Educação Infantil (BNCC)
As propostas práticas são exemplos editoriais do projeto. Não representam certificação pedagógica nem recomendação clínica. Conheça nossa política editorial e envie uma correção.



