Atividades do Dia da Família na educação infantil devem começar por uma pergunta aberta: quem faz parte da sua família? Para algumas crianças são pai e mãe, para outras avós, duas mães, dois pais, tios, irmãos mais velhos, madrinhas, cuidadores. Todas essas configurações merecem espaço, e as propostas abaixo foram pensadas para isso.
Quando trabalhar o Dia da Família?
O Dia Internacional da Família é lembrado em 15 de maio, por decisão da Assembleia Geral da ONU. Muitas escolas aproveitam o mês para um encontro com as famílias, e outras preferem datas variadas, como o início ou o fim do ano. Como o tema é permanente, também cabe em qualquer época: depois da adaptação escolar, quando uma nova criança chega, ou em projetos sobre identidade.
Para o planejamento, vale checar com a equipe pedagógica se há crianças em situações especiais (acolhimento institucional, guarda compartilhada, luto recente) e conversar antes de propor trabalhos que exijam fotos ou apresentações das pessoas. O olhar atento evita constrangimentos.
Por que o tema importa na educação infantil?
A BNCC destaca o respeito à diversidade de modos de vida e o reconhecimento das próprias características e das do outro. Falar de família é falar de pertencimento: a criança aprende que cada casa tem rotinas, comidas e jeitos de cuidar, e que as diferenças não tornam uma melhor que outra. Isso fortalece a identidade e prepara para a convivência.
O mais delicado é evitar o modelo único. Livros, cartazes e músicas que mostram apenas uma configuração podem fazer algumas crianças se sentirem de fora. Prefira materiais variados e converse com a turma sobre a riqueza dessa variedade.
Quais atividades do Dia da Família fazer?
1. Árvore de afetos
Materiais: cartolina, tinta ou papéis para o tronco e as folhas, caneta.
Passo a passo: a criança desenha uma árvore e, em cada folha, coloca o nome ou o desenho de uma pessoa que ama e que cuida dela. Não há limite de folhas nem exigência de laços de sangue. Ao final, conta para a turma: “este é o meu avô, esta é a minha madrinha”. Com a mesma base, é possível montar um mural da turma com todas as árvores.
Faixa etária: 4 a 6 anos.
Adaptação: para os menores, ofereça folhas já recortadas e uma mão carimbada para cada pessoa. Quem não quer falar pode simplesmente mostrar o desenho.
2. Minha casa e quem mora nela
Materiais: papel, lápis de cor, caixa de papelão pequena, fitas.
Passo a passo: desenhe ou monte uma casa, com cômodos e moradores. A criança descreve o que cada um faz: quem cozinha, quem lê histórias, quem leva à escola. A conversa mostra que as tarefas da casa podem ser compartilhadas e que cada família organiza o cotidiano de um jeito. A folha de traçado das amostras é complementar e pode apoiar o desenho de caminhos até a casa.
Faixa etária: 3 a 6 anos.
Adaptação: crianças que passam tempo em mais de uma casa podem montar duas, sem comparação. Quem vive em abrigo ou casa coletiva faz o desenho do lugar que chama de seu.
3. Receita da família
Materiais: ingredientes seguros, tigelas, colheres, avental.
Passo a passo: uma família pode ser convidada para ensinar um prato. Se não for possível, a criança conta, com ajuda de um adulto, qual é a comida preferida em casa e quem a prepara. A turma monta um livro de receitas ilustrado. Falar de comida é falar de cultura, cheiros e memórias. Confira também alimentação saudável.
Faixa etária: 4 a 6 anos.
Adaptação: confirme alergias e restrições religiosas ou culturais. Quem tem seletividade alimentar pode participar tocando e misturando, sem obrigação de provar.
4. Um dia na minha rotina
Materiais: cartões com cenas do cotidiano (acordar, comer, brincar, tomar banho, dormir), cola, folha.
Passo a passo: a criança organiza os cartões na ordem do seu dia e comenta quem a ajuda em cada momento. Compare com os colegas: há semelhanças e diferenças. Perceber que ninguém tem o mesmo dia mostra a diversidade de modos de viver. Combina com o guia de rotina infantil.
Faixa etária: 4 a 6 anos.
Adaptação: nos menores, use apenas três cartões. Se houver rotinas muito diferentes por causa do trabalho dos adultos, valorize todas como válidas.
5. Álbum de fotos e objetos
Materiais: fotos impressas (se a família quiser), papel, caneta, caixa decorada.
Passo a passo: a criança traz, se desejar, uma foto ou um objeto que represente a família. Ela apresenta em um minuto e responde a uma pergunta da turma. Quem não trouxe pode desenhar. O adulto cuida para que ninguém seja questionado de forma invasiva. Essa dinâmica trabalha a oralidade e a escuta.
Faixa etária: 4 a 6 anos.
Adaptação: para quem tem timidez, a apresentação pode ser para o professor ou em pequenos grupos. Respeite a decisão de não participar.
6. Brincadeiras de faz de conta em casa
Materiais: panelinhas, fantasias, bonecos, caixas.
Passo a passo: monte um canto de casinha e observe como as crianças representam os papéis. Pergunte: “quem cuida do bebê aqui?”. Sem corrigir, deixe as crianças experimentarem papéis variados e conversem. É uma oportunidade de ampliar repertórios, mostrando que cuidar não tem gênero.
Faixa etária: 3 a 6 anos.
Adaptação: crianças que preferem brincar sozinhas podem ter um canto próprio. Se uma cena trouxer lembranças difíceis, acolha e mude de brincadeira com gentileza.
Como ajustar por idade
| Idade | Foco | Como propor |
|---|---|---|
| 3 anos | Reconhecer pessoas | Mão carimbada, casinha de faz de conta |
| 4 anos | Nomear laços | Árvore de afetos simples, rotina em três cartões |
| 5 anos | Contar e comparar | Casa com moradores, receita da família |
| 6 anos | Registrar | Livro da turma, entrevistas e legendas |
Quais cuidados tomar?
O principal cuidado é com a linguagem. Prefira “família” a “papai e mamãe”, “quem cuida de você” a “seus pais” e “responsáveis” nos convites. Evite pedir que a criança apresente a árvore genealógica biológica; a adoção, o acolhimento e outras formações são tão legítimos quanto qualquer outra. Não exponha situações como separação, perda ou ausência diante da turma.
Em eventos presenciais, combine o horário com antecedência e considere as famílias que trabalham em horário comercial. Ofereça formas diferentes de participar: foto, vídeo, carta, bilhete ou visita curta. Cuide de emoções fortes e tenha um adulto de apoio.
O que observar nas crianças
Veja como a criança descreve as pessoas, se reconhece papéis diferentes, se conta episódios de convivência e se demonstra desconforto ao falar do tema. Frases como “eu moro com minha vó e meu tio” mostram que a família faz parte da sua identidade. Anote com respeito e use apenas para planejar novos momentos.
Como levar o tema para casa
Sugira às famílias que leiam juntos um livro sobre afeto, conversem sobre quem cuida e como, e façam um pequeno ritual semanal de convivência: jantar com histórias, passeio ou jogo. Evite deveres de casa que exijam compras ou fotos específicas. O foco é o tempo de qualidade, e não o produto.
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Quando é o Dia da Família?
O Dia Internacional da Família é lembrado em 15 de maio, data estabelecida pela Assembleia Geral da ONU. Algumas escolas celebram em outros momentos, como no segundo semestre. Como o tema não depende do calendário, o trabalho pode acontecer em qualquer época, sempre com convite às famílias.
Como incluir famílias diferentes sem constranger ninguém?
Use perguntas abertas, como “quem mora com você?” e “quem cuida de você?”, e aceite todas as respostas. Evite dizer “papai e mamãe” como padrão e não peça foto de pessoas específicas. Ofereça desenhos livres, e deixe a criança escolher quem entra no seu trabalho.
E se a criança vive em abrigo ou com familiares que não são os pais?
Acolha com naturalidade. A família é quem cuida e protege, e isso pode incluir avós, tios, cuidadores e educadores. Converse com antecedência com a equipe e, se for o caso, com o responsável legal para saber como a criança prefere ser tratada, sem expô-la diante dos colegas.
Que atividades simples cabem em casa?
Cozinhar junto, montar um álbum de fotos, desenhar a árvore de afetos, brincar de faz de conta com papéis da casa e contar uma história da infância. Bastam papel, lápis e vinte minutos. O mais importante é a atenção do adulto e o espaço de escuta.
Fontes e referências
- MEC — Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental
- UNICEF Brasil — Desenvolvimento infantil
- MEC — Caderno de práticas da Educação Infantil (BNCC)
As propostas práticas são exemplos editoriais do projeto. Não representam certificação pedagógica nem recomendação clínica. Conheça nossa política editorial e envie uma correção.




