Contação de histórias na educação infantil é narrar com voz, gestos e recursos simples para despertar a imaginação e a escuta das crianças. Não exige talento de ator: exige preparo, ensaio e disposição para brincar. A história ganha ainda mais força quando é seguida de uma atividade curta de reconto, desenho ou dramatização.
Ouvir histórias amplia vocabulário, compreensão e o gosto pela leitura. A BNCC destaca, no campo “Escuta, fala, pensamento e imaginação”, a importância de as crianças ouvirem, contarem e recontarem histórias. A contação prepara o terreno para a leitura autônoma, trabalhada no guia de atividades de leitura.
Que técnicas ajudam a contar melhor?
| Técnica | Como usar | Efeito |
|---|---|---|
| Voz | Variar altura, ritmo e volume | Prende a atenção |
| Pausa | Silêncio antes de uma surpresa | Cria expectativa |
| Gesto | Mostrar ações com o corpo | Ajuda a compreender |
| Olhar | Olhar para as crianças | Gera vínculo |
| Refrão | Repetição de uma frase | Convida a participar |
| Objeto | Mostrar algo da história | Concretiza |
Como preparar a contação?
Escolha uma história curta, com começo, meio e fim claros, e que você goste de contar. Leia algumas vezes, identifique os momentos de maior tensão e de humor e decida onde fará pausas. Treine em voz alta, sem decorar palavra por palavra: guarde a sequência de acontecimentos. Organize o espaço: crianças sentadas em semicírculo, você à altura delas, sem distrações. Separe os recursos em uma caixa, em ordem de uso. Anuncie com um ritual (“Era uma vez, num lugar…”) que marque o momento especial.
Atividade 1: Avental de histórias
Materiais: um avental com bolsos, figuras de personagens em feltro ou papel plastificado.
Passo a passo: coloque as figuras nos bolsos, na ordem da história. A cada momento, tire uma figura e mostre. Convide as crianças a adivinhar quem vai aparecer. No fim, deixe que elas peguem as figuras e recontem.
Faixa etária: 2 a 6 anos. Adaptação: para os menores, use poucos personagens. Figuras devem ser grandes, sem partes soltas que possam ser engolidas.
Atividade 2: Caixa de objetos
Materiais: caixa com objetos ligados à história (uma colher, um chapéu, uma pedra), pano.
Passo a passo: cubra a caixa. Antes da história, as crianças pegam um objeto e dizem o que acham que acontecerá. Conte a história incluindo os objetos no momento certo. Depois, as crianças reinventam a trama com outros objetos. Veja a amostra de sequência para ligar a história à ordem dos fatos.
Faixa etária: 3 a 7 anos. Adaptação: use objetos grandes e seguros. Evite itens pequenos para crianças que levam coisas à boca.
Atividade 3: Dedoches e fantoches
Materiais: luvas velhas, meias, palitos de sorvete, papel, canetinhas.
Passo a passo: transforme meias em fantoches de personagens. Conte a história usando-os e dê voz a cada um. Depois, entregue aos alunos para que contem do seu jeito. Crianças tímidas costumam falar mais através de um fantoche.
Faixa etária: 3 a 7 anos. Adaptação: palitos de sorvete devem ter pontas arredondadas. Quem não quiser falar pode manipular o fantoche e deixar a fala para um colega.
Atividade 4: Histórias em sequência
Materiais: quatro cartões com cenas da história, cola, folha.
Passo a passo: depois da contação, embaralhe os cartões e peça que as crianças os coloquem na ordem. Conte a história seguindo os cartões. Em seguida, pergunte: “E se o final fosse diferente?”. O guia de sequência lógica detalha propostas de ordenação.
Faixa etária: 4 a 7 anos. Adaptação: comece com três cartões. Para os maiores, acrescente cartões extras que não pertencem à história.
Atividade 5: Desenho do trecho favorito
Materiais: papel, lápis de cor, giz de cera.
Passo a passo: cada criança desenha o momento de que mais gostou e conta ao grupo. O adulto escreve uma frase ditada embaixo do desenho. Monte um mural com as imagens, em ordem da história. Ver as escolhas diferentes mostra que cada um interpreta a narrativa à sua maneira.
Faixa etária: 3 a 7 anos. Adaptação: quem não quiser falar pode apenas mostrar o desenho. Os maiores podem escrever uma legenda.
Atividade 6: Teatro das sombras
Materiais: lençol claro, lanterna, figuras recortadas em papel preto, palitos.
Passo a passo: prenda o lençol e acenda a lanterna atrás dele, em ambiente escurecido. O adulto movimenta as figuras entre a luz e o lençol, contando a história. Depois, as crianças experimentam. Cuidado com a lanterna (sem calor) e com cabos soltos. A proposta encanta e ensina a observar formas e sombras.
Faixa etária: 4 a 7 anos. Adaptação: crianças com medo do escuro podem participar com a luz do ambiente parcialmente acesa. Respeite o ritmo.
O que fazer depois da história?
O momento seguinte à contação é onde muita aprendizagem se consolida. Algumas possibilidades: pedir que as crianças recontem com as próprias palavras, desenhem uma cena, dramatizem em duplas, inventem um novo final, montem um mural com os personagens ou cantem uma música relacionada. Escolha uma só proposta por vez, curta e prazerosa. Pergunte o que acharam, o que sentiram, de quem gostaram mais e por quê. Evite transformar a conversa em prova. Se for possível, deixe o livro ao alcance das crianças, para que o folheiem e “leiam” do jeito delas. Outras ideias de projetos estão no guia de atividades de educação infantil.
Como criar um cantinho de leitura?
Um canto aconchegante, com almofadas, tapete e uma estante baixa, convida a criança a ler e a ouvir. Exponha as capas dos livros, para que ela escolha pelo que vê, e renove o acervo a cada quinzena. Inclua livros de imagens, de rimas, de bichos, de emoções e de cultura brasileira. Combine regras simples: cuidar dos livros, devolver ao lugar e falar baixo. Um cartaz com a “hora da história” ajuda a antecipar o momento. Em casa, um cesto ao lado da cama e dez minutos de leitura antes de dormir já formam um hábito poderoso.
Que histórias escolher?
Para os menores, histórias com repetição, rimas e animais são ideais. Para os maiores, vale incluir contos tradicionais, lendas brasileiras, cantigas e histórias criadas por elas. Escolha obras com boas ilustrações e linguagem cuidadosa. Procure diversidade de personagens e culturas, para que cada criança se veja representada. Visite a biblioteca da escola ou do bairro, que costuma oferecer acervo gratuito, e converse com as crianças sobre o que gostariam de ouvir.
Como lidar com crianças que se dispersam?
Aproxime-se, mude o tom de voz e inclua a criança na história (“Será que o lobo vai chegar aqui, Pedro?”). Dê funções, como virar a página ou fazer o som do vento. Se o grupo estiver agitado, comece com uma música ou um exercício de respiração. Histórias curtas e interativas funcionam melhor do que longas. Se a dispersão for intensa e constante em várias situações, converse com a família e o professor, sem rotular a criança.
Um acervo para apoiar as histórias
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Qual a diferença entre contar e ler uma história?
Na leitura, o adulto segue o texto e mostra as páginas; na contação, narra com as próprias palavras, usando voz, gestos e recursos, olhando para as crianças. As duas são valiosas e se complementam. Ler mostra o livro e a escrita; contar solta a imaginação e a oralidade.
Que recursos posso usar para contar histórias?
Fantoches, dedoches, avental de histórias, caixa de objetos, sombras, música e livros ilustrados. Não é preciso gastar: objetos da casa e figuras de papel já ajudam. O recurso deve apoiar a história, não ofuscá-la, e precisa ser seguro e adequado à idade das crianças.
Quanto tempo deve durar uma história para crianças pequenas?
Para 2 e 3 anos, entre 3 e 7 minutos; para 4 e 5 anos, de 7 a 15 minutos, com pausas para participação. Se as crianças perderem o interesse, acelere ou termine. Histórias curtas e repetidas, com refrão, funcionam muito bem nessa faixa etária.
É bom repetir a mesma história várias vezes?
Sim. A repetição dá segurança, permite que a criança antecipe o que vem e aprenda palavras e estruturas da narrativa. Ela costuma pedir de novo, e cada vez percebe algo diferente. Vale repetir com pequenas variações, como mudar a voz de um personagem.
Fontes e referências
- MEC — Base Nacional Comum Curricular (Educação Infantil e Ensino Fundamental)
- MEC — Caderno de práticas, Educação Infantil
- UNICEF — Desenvolvimento infantil
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