Atividades do Dia do Livro Infantil funcionam quando a criança convive com livros de verdade: toca, folheia, escolhe e escuta histórias lidas por alguém que gosta de ler. O Dia Nacional do Livro Infantil, em 18 de abril, é uma data para criar esse hábito com variedade de autores, vozes e personagens, e não só para decorar a sala.
Por que 18 de abril é o Dia do Livro Infantil?
A Lei nº 10.402, de 2002, instituiu o Dia Nacional do Livro Infantil em 18 de abril, aniversário do escritor Monteiro Lobato. Ele é uma figura importante da literatura infantil brasileira, mas sua obra contém trechos com estereótipos racistas, tema de debates e de decisões de órgãos públicos sobre o uso em escolas.
Na educação infantil, a abordagem mais prudente é separar a data da obra: celebrar o livro e a leitura, e apresentar escritoras e escritores variados, entre eles autores negros, indígenas, regionais e estrangeiros. Se a escola quiser citar Lobato, deve fazê-lo com planejamento, contexto e conversa, em diálogo com as famílias. O guia sobre consciência negra traz caminhos para esse cuidado.
Quando trabalhar o Dia do Livro?
Abril pode ser o mês da leitura, com rodas diárias de 10 a 15 minutos. Em casa, o ritual da história antes de dormir já cumpre o papel. O ideal é que a data seja uma festa de continuidade, e não de um dia só: o canto da leitura continua depois, e a biblioteca da turma fica sempre aberta.
Quais atividades do Dia do Livro fazer?
1. Canto da leitura
Materiais: tapete, almofadas, caixa ou estante baixa, 10 a 15 livros variados.
Passo a passo: monte um espaço aconchegante em que a criança escolha e manuseie livros sozinha ou em dupla. Deixe as capas à vista. Alterne os títulos a cada semana. Combine como cuidar: mãos limpas, páginas viradas devagar, livro guardado no lugar.
Faixa etária: 2 a 6 anos.
Adaptação: para bebês, use livros de pano e plástico lavável. Para crianças agitadas, ofereça um tempo curto e aumente aos poucos.
2. Leitura compartilhada
Materiais: um livro com boas ilustrações.
Passo a passo: antes de ler, mostre a capa e pergunte: “o que será que vai acontecer?”. Durante a leitura, faça pausas para a criança comentar. Depois, converse: “de qual parte você mais gostou?”. Não tenha pressa de terminar. O ritmo da conversa vale mais que o número de páginas.
Faixa etária: 2 a 6 anos.
Adaptação: se a criança perde o interesse, encurte a história ou mostre só as imagens e peça que ela conte. Releia o mesmo livro quantas vezes ela pedir: a repetição ajuda a aprender.
3. Reconto com objetos
Materiais: objetos que lembram personagens e cenários (bonecos, tecidos, caixas).
Passo a passo: depois de ouvir uma história, a criança reconstrói a cena com os objetos e conta do seu jeito. O adulto só ajuda com perguntas: “e depois?”. A atividade trabalha memória, sequência e linguagem, e dialoga com o guia de atividades de rimas.
Faixa etária: 3 a 6 anos.
Adaptação: quem fala pouco pode apontar ou dramatizar com gestos. Use histórias curtas e conhecidas para começar.
4. Livro da turma
Materiais: folhas de papel, grampeador ou argola, lápis e giz.
Passo a passo: cada criança faz um desenho para uma história coletiva sobre um tema escolhido (“um dia no parque”). O adulto escreve a legenda ditada e monta o livro. A capa leva o nome de todos, o que reforça o nome próprio. O livro entra no canto da leitura.
Faixa etária: 4 a 6 anos.
Adaptação: com os menores, o livro é de carimbos ou colagens, sem texto. Quem escreve já pode registrar a própria legenda.
5. Empréstimo de livros para casa
Materiais: sacolinha de pano, caderno ou ficha de registro simples, livros.
Passo a passo: cada semana, uma criança leva um livro para ler em família e devolve com um desenho sobre a história. Explique o cuidado combinado. A escola deve ter exemplares extras para famílias sem livros em casa.
Faixa etária: 4 a 6 anos.
Adaptação: para famílias com pouca leitura, sugira contar a história só olhando as imagens, sem necessidade de ler o texto. Isso valoriza qualquer repertório.
6. Visita à biblioteca
Materiais: autorização das famílias, acompanhamento adulto.
Passo a passo: visite a biblioteca da escola, da comunidade ou do bairro. Combine regras de silêncio e cuidado, deixe a criança escolher um livro e escute uma história com a bibliotecária. Se não houver biblioteca perto, convide alguém para trazer livros à escola.
Faixa etária: 3 a 6 anos.
Adaptação: crianças sensíveis ao ruído podem ir com tempo de adaptação ou observar de longe. Sem passeio, faça uma “biblioteca de sala” com cartões de empréstimo desenhados.
Como ajustar por idade
| Idade | Foco | Como propor |
|---|---|---|
| Berçário | Manusear e ouvir | Livros de pano, voz suave, cantigas |
| 2 a 3 anos | Repetir e apontar | Histórias curtas, rimas, perguntas simples |
| 4 anos | Recontar | Objetos, dramatização, livro da turma |
| 5 a 6 anos | Escolher e registrar | Empréstimo, desenho da história, primeiras letras |
Como escolher livros com diversidade
Reúna títulos de autoras e autores de origens variadas, com personagens de diferentes cores de pele, famílias, corpos e regiões. Inclua histórias de povos indígenas e de matriz africana, poesias, cantigas e livros-imagem. Confira se as ilustrações não reforçam estereótipos e se as pessoas aparecem como protagonistas. Busque em bibliotecas públicas, feiras e acervos digitais gratuitos. Para o aprendizado de letras, as atividades de alfabetização complementam a leitura.
O que observar nas crianças
Observe se a criança escolhe livros, folheia na ordem, imita a postura de quem lê, antecipa o que vem na história e relaciona o enredo com sua vida. Não force a decodificação: ouvir muitas histórias vem antes de ler sozinha. Registre títulos favoritos e use-os para propor novas leituras.
Como ler em voz alta para crianças pequenas
Leia com expressão: mude a voz dos personagens, faça pausas e mostre as imagens. Escolha um horário fixo, sem telas por perto, e aceite que a criança se mova ou interrompa. Pergunte, mas sem transformar em prova. Com bebês, o importante é o som da voz e a proximidade. Com crianças de 4 a 6 anos, vale apontar palavras repetidas, rimas e o título, sem exigir leitura. Quando a história tiver temas delicados, como medo ou perda, leia antes sozinho para saber como conduzir a conversa.
Erros comuns a evitar
- Escolher livros só pela moda ou pelo autor famoso, sem olhar as ilustrações e o conteúdo.
- Cobrar leitura de palavras de quem ainda está descobrindo letras.
- Usar o livro como castigo ou recompensa.
- Montar um canto da leitura bonito, mas fora do alcance das crianças.
- Ignorar a diversidade de representações nos livros do acervo.
Se a escola decidir trabalhar um clássico, preveja uma roda de conversa e fale com as famílias. A prática de oferecer muitos livros diferentes protege a criança de uma única narrativa e amplia o gosto por histórias.
Para continuar
Veja também o guia de atividades de alfabetização e o de nome próprio. As folhas de vogais em amostras são complementares e não são específicas do Dia do Livro.
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Por que o Dia do Livro Infantil é 18 de abril?
A Lei nº 10.402/2002 instituiu o Dia Nacional do Livro Infantil em 18 de abril, data de nascimento do escritor Monteiro Lobato. A escolha é uma homenagem histórica, mas a obra dele tem trechos criticados por racismo, por isso a data pede leitura contextualizada e variedade de autores.
Posso usar Monteiro Lobato com crianças pequenas?
Depende da obra e da mediação. Há debate público sobre estereótipos racistas em parte dos livros dele. Na educação infantil, muitos educadores preferem priorizar outros autores e, se usarem Lobato, fazem seleção cuidadosa, com contexto e conversa. Consulte a coordenação e as orientações do MEC sobre combate ao racismo.
Como incentivar a leitura sem cobrar a criança?
Leia com prazer, todos os dias, por poucos minutos, deixe livros ao alcance das mãos e permita que ela escolha. Não corrija a leitura nem a obrigue a repetir. Perguntas abertas, como “o que você achou desse personagem?”, estimulam a conversa mais do que testes.
Que livros escolher para cada idade?
Para bebês, livros resistentes, de pano ou cartão, com poucas imagens grandes. Para 2 a 3 anos, histórias curtas, repetitivas e rimadas. Para 4 a 6 anos, enredos com começo, meio e fim, personagens variados e ilustrações ricas. Inclua autores e personagens diversos, de diferentes povos e regiões.
Fontes e referências
- Lei nº 10.402/2002 — Dia Nacional do Livro Infantil
- MEC — Base Nacional Comum Curricular: Educação Infantil e Ensino Fundamental
- MEC — Caderno de práticas: Educação Infantil
As propostas práticas são exemplos editoriais do projeto. Não representam certificação pedagógica nem recomendação clínica. Conheça nossa política editorial e envie uma correção.



