# PEI plano educacional individualizado: guia prático

Canonical: https://blog.genesisprotocol.com.br/guias/pei-plano-educacional-individualizado/
Autoria: Equipe editorial Genesis Kids, iniciativa de PixelAB - Genesis Protocol.
Atualizado em: 2026-10-31.

O PEI (Plano Educacional Individualizado) é um documento que organiza objetivos, adaptações e apoios para um estudante com necessidades específicas. Para elaborá-lo, a escola reúne informações da família, do professor, do AEE e de profissionais de saúde, define metas observáveis e revisa periodicamente. A Lei Brasileira de Inclusão prevê o plano de AEE; a nomenclatura e o fluxo do PEI variam entre redes e escolas.

**PEI** é a sigla de Plano Educacional Individualizado: um documento que organiza objetivos, adaptações e apoios para um estudante com necessidades específicas. Para elaborá-lo, a escola reúne informações da família, do professor, do AEE e de profissionais de saúde, define metas observáveis e revisa periodicamente. Não há modelo nacional único; cada rede ou escola define o seu.

Este guia explica o que costuma constar em um PEI, como montá-lo em etapas e como ele se relaciona com a legislação brasileira. Não é consultoria jurídica nem substitui a orientação da sua secretaria de educação. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015, art. 28) prevê projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional especializado, adaptações razoáveis e a elaboração de plano de AEE, com organização de recursos de acessibilidade. A Lei nº 12.764/2012 assegura às pessoas com TEA o acesso à educação e, quando comprovada a necessidade, a acompanhante especializado em classes comuns.

## Para que serve o PEI?

O PEI transforma a intenção de inclusão em compromissos concretos. Ele ajuda a:

- Registrar o que o estudante já sabe fazer, o que precisa de apoio e o que o motiva.
- Combinar adaptações entre todos os adultos envolvidos, evitando que cada professor improvise.
- Definir metas realistas e formas de acompanhá-las.
- Dar continuidade quando o aluno muda de ano, professor ou escola.
- Facilitar o diálogo com a família.

Ele não é um rótulo nem um documento de exclusão. A finalidade é ampliar a participação do estudante no currículo e na vida escolar.

## Que informações um PEI costuma conter?

| Seção | O que registrar |
| --- | --- |
| Identificação | Nome, idade, turma, professores e profissionais de referência |
| Perfil do estudante | Interesses, potencialidades, formas de comunicação, rotinas, apoios que funcionam |
| Barreiras | Situações em que a participação fica difícil (ruído, instruções longas, escrita) |
| Objetivos | Metas curtas e observáveis, ligadas ao currículo e à autonomia |
| Estratégias | Adaptações de atividades, mediação, recursos e ambiente |
| Responsáveis | Quem faz o quê e com que frequência |
| Avaliação | Como e quando o progresso será observado |
| Revisão | Datas para rever e ajustar o plano |

Informações de saúde devem ser incluídas apenas quando necessárias e com autorização da família, respeitando o sigilo.

## Como fazer um PEI passo a passo?

### 1. Reúna informações

Converse com a família sobre interesses, rotinas, formas de comunicação e o que funciona em casa. Solicite, com autorização, relatórios de profissionais que acompanham o estudante. Observe o aluno em diferentes momentos: sala, recreio, lanche, entrada e saída.

### 2. Descreva o perfil

Escreva em linguagem simples: “Gosta de dinossauros, usa palavras isoladas, aceita bem instruções visuais, tem dificuldade em esperar a vez”. Comece pelas potencialidades.

### 3. Identifique as barreiras

Pense no ambiente e na atividade, e não só na criança. A barreira pode ser uma instrução oral longa, a falta de apoio visual ou a ausência de pausas, não uma “falha” do aluno.

### 4. Defina objetivos observáveis

Prefira metas que possam ser vistas e registradas, como “participar da roda de histórias por cinco minutos com apoio de um objeto” ou “pedir ajuda usando um cartão”. Evite metas vagas, como “melhorar o comportamento”. Estabeleça prazo de revisão, por exemplo, um bimestre.

### 5. Escolha as estratégias e os recursos

Associe cada objetivo a ações: [rotina visual](/guias/rotina-visual-autismo/), [comunicação alternativa](/guias/comunicacao-alternativa-autismo/), materiais adaptados, tempo ampliado, local de menor ruído, mediação de adulto, trabalho em dupla.

### 6. Distribua responsabilidades

Defina quem prepara os materiais, quem acompanha o aluno em cada momento, quando acontece o AEE e como as informações circulam. Nada funciona se o plano ficar só no papel.

### 7. Registre e revise

Reserve datas para rever o plano. Registre o que funcionou e o que mudou. Se uma meta foi alcançada, defina uma nova; se não foi, investigue os apoios antes de reduzir a expectativa.

## Exemplo resumido de objetivo e estratégia

- **Perfil:** criança de 5 anos, comunica-se por gestos e algumas palavras; gosta de carros; se desorganiza nas transições.
- **Barreira:** mudança de atividade sem aviso.
- **Objetivo:** realizar a transição da roda para a mesa com apoio de um cartão de sequência, em quatro de cinco dias, ao final do bimestre.
- **Estratégias:** cartões “roda” e “mesa”, aviso verbal curto e temporizador visual; elogiar a transição; compartilhar o cartão com a família.
- **Responsáveis:** professor da turma (aplica diariamente), professor do AEE (produz o cartão e orienta), família (usa o mesmo cartão em casa).
- **Avaliação:** registro semanal em tabela simples; revisão em reunião no fim do bimestre.

Esse exemplo é ilustrativo e não deve ser copiado literalmente; cada plano nasce do conhecimento do estudante.

## Como a família participa?

A família tem informações valiosas e direito a ser ouvida. Peça para ver o plano, sugerir ajustes e receber devolutivas periódicas. Combine uma forma de comunicação regular. Quando houver profissionais de saúde envolvidos, a família pode intermediar a troca de orientações com a escola. Se houver discordâncias, busque primeiro o diálogo com a coordenação; persistindo as dificuldades, a secretaria de educação e os órgãos de defesa de direitos podem orientar.

## Como o PEI se conecta ao AEE?

O professor do AEE costuma ter papel central na elaboração e no acompanhamento. Veja como o atendimento se organiza em [atividades do AEE na sala de recursos](/guias/atividades-aee-sala-de-recursos/). Na educação infantil, adaptações para a rotina e para o planejamento coletivo aparecem em [atividades de autismo na educação infantil](/guias/atividades-autismo-educacao-infantil/), e estratégias para atenção em [TDAH na sala de aula](/guias/tdah-na-sala-de-aula/).

## Quando e como revisar o plano?

O PEI não é um documento fechado. Uma revisão a cada bimestre ou trimestre costuma ser razoável, e também vale revisar sempre que houver mudança importante: troca de turma, de professor, de equipe terapêutica ou de situação familiar. Na reunião de revisão, responda a quatro perguntas:

1. O que foi alcançado e como sabemos?
2. O que não funcionou e por quê?
3. Que apoios precisam continuar, mudar ou ser retirados?
4. Quais são as próximas metas, e quem fará cada parte?

Convide a família a participar e, sempre que possível, escute o estudante. Registre as decisões por escrito, com data, e entregue uma cópia a quem for responsável por aplicá-las. Pequenas revisões ao longo do período, em conversas rápidas entre professores, evitam que o plano fique desatualizado.

## Erros comuns na elaboração

- Escrever um plano genérico, igual para todos.
- Elaborar sem ouvir a família.
- Metas excessivas: três ou quatro bem escolhidas valem mais que dez.
- Não prever revisão.
- Focar só em comportamento e esquecer a aprendizagem.
- Usar o documento como justificativa para reduzir expectativas.

## Posso usar materiais prontos no PEI?

Sim, como recursos de apoio às estratégias definidas. As [amostras gratuitas](/amostras/) podem servir para testar o formato de folha que o aluno aceita antes de produzir ou adquirir mais materiais.

## Para ganhar tempo na preparação

O **Kit TEA & TDAH na Prática** reúne +440 recursos lúdicos em PDF, com rotinas visuais, cartões, pranchas e fichas, a partir de R$ 19,90, e inclui bônus descritos na oferta, como fichas de evolução. Ele pode ajudar na produção de materiais, mas não substitui o planejamento individual nem a avaliação. Veja a [página do kit](/produtos/kit-tea-tdah-na-pratica/) e o [site oficial](https://kittea.genesisprotocol.com.br/).

## Referências
- [Lei nº 13.146/2015 — Lei Brasileira de Inclusão (art. 28)](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm)
- [Lei nº 12.764/2012 — Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com TEA](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm)
- [Ministério da Saúde — Autismo](https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/autismo)

## Sobre esta publicação
Material educacional para adultos que acompanham crianças. Não oferece diagnóstico ou tratamento. Esta biblioteca também apresenta produtos digitais do próprio ecossistema.
- [Política editorial](https://blog.genesisprotocol.com.br/politica-editorial/)
- [Contato e correções](https://blog.genesisprotocol.com.br/contato/)
