# Histórias sociais autismo: como escrever e exemplos

Canonical: https://blog.genesisprotocol.com.br/guias/historias-sociais-autismo/
Autoria: Equipe editorial Genesis Kids, iniciativa de PixelAB - Genesis Protocol.
Atualizado em: 2026-10-31.

Histórias sociais são textos curtos, em primeira ou terceira pessoa, que descrevem uma situação, o que acontece e o que se espera, com linguagem positiva e, muitas vezes, imagens. Servem para antecipar eventos como ir ao dentista, esperar a vez ou lidar com mudanças. O método foi criado por Carol Gray; este guia traz uma adaptação simples para famílias e escolas, que deve ser ajustada com profissionais.

**Histórias sociais** são textos curtos, em primeira ou terceira pessoa, que descrevem uma situação, o que acontece e o que se espera, com linguagem positiva e, muitas vezes, imagens. Servem para antecipar eventos como ir ao dentista, esperar a vez ou lidar com mudanças. Para escrever, escolha uma situação, use frases descritivas curtas e revise com a criança e os profissionais.

O formato foi criado por Carol Gray no início dos anos 1990 e tem diretrizes próprias de elaboração. Este guia apresenta uma adaptação simples, para uso educativo por famílias e professores, sem pretensão de substituir o trabalho de profissionais treinados. Como a OMS observa, as pessoas autistas têm habilidades e necessidades diversas; por isso, a história deve ser personalizada e testada. Ela não promete mudar comportamentos, e sim oferecer informação clara sobre o que vai acontecer.

## Para que servem as histórias sociais?

- **Antecipar eventos novos:** primeiro dia de aula, consulta, viagem, festa de aniversário.
- **Explicar regras sociais implícitas:** esperar na fila, cumprimentar, brincar em grupo.
- **Preparar para mudanças:** troca de professor, mudança de casa, chegada de um irmão.
- **Lidar com sentimentos:** o que fazer quando fico nervoso.
- **Descrever o ponto de vista dos outros:** por que o colega ficou triste quando peguei o brinquedo.

## Que tipos de frase compõem a história?

A abordagem tradicional organiza as frases em categorias:

| Tipo | Função | Exemplo |
| --- | --- | --- |
| Descritiva | Informa o contexto, os fatos | “Hoje vou ao dentista. O consultório tem uma cadeira grande.” |
| Perspectiva | Fala de sentimentos e pensamentos | “Algumas crianças sentem um pouco de medo. O dentista quer cuidar dos dentes.” |
| Diretiva | Sugere uma resposta possível | “Posso respirar fundo e levantar a mão se quiser parar.” |
| Afirmativa | Reforça um valor ou tranquiliza | “Muitas pessoas vão ao dentista. Isso é normal.” |

Uma boa história tem mais frases descritivas e de perspectiva do que diretivas. O tom é de informação e segurança, e não de ordem.

## Como escrever uma história social passo a passo?

1. **Escolha uma situação concreta.** “Ir ao mercado”, em vez de “comportar-se bem”.
2. **Observe e converse.** O que a criança sabe? O que a deixa insegura? Que detalhes sensoriais importam (luz, barulho, cheiro)?
3. **Escreva em frases curtas.** Uma ideia por frase. Use tempo presente ou futuro.
4. **Use linguagem positiva.** Prefira “Posso esperar sentado” a “Não posso correr”.
5. **Inclua o ponto de vista dos outros.** Ajuda a criança a compreender o contexto.
6. **Ofereça opções.** “Posso levar meu brinquedo” ou “Posso pedir uma pausa”.
7. **Acrescente imagens.** Fotos do lugar real, desenhos simples ou pictogramas.
8. **Releia e revise.** Peça a opinião de quem conhece a criança e, se possível, de um profissional.
9. **Teste e ajuste.** Leia antes do evento, diariamente, por alguns dias, e observe a reação.

## Exemplo 1: ir ao mercado

> Hoje vou ao mercado com a mamãe. O mercado é um lugar grande, com muitas pessoas e alguns barulhos. Ali as pessoas escolhem comida e colocam no carrinho. Às vezes, tem fila para pagar. Esperar na fila pode ser chato, mas a fila anda. Posso segurar a lista da mamãe ou meu brinquedo enquanto espero. Se o barulho me incomodar, posso avisar a mamãe e usar meu abafador de ruído. Depois de pagar, vamos para casa.

## Exemplo 2: esperar a vez no jogo

> Quando brinco com outras crianças, cada um joga na sua vez. Enquanto o colega joga, eu posso olhar e esperar. Esperar às vezes é difícil. Posso contar até cinco ou segurar uma bolinha. Quando chegar minha vez, o colega vai me avisar. Os colegas gostam quando eu espero, e eu também gosto quando eles esperam por mim.

## Exemplo 3: quando muda a rotina

> Na escola, geralmente a professora Ana está na minha sala. Hoje a professora Ana não vem, e outra professora vai ficar com a turma. Ela se chama Carla. Algumas coisas serão iguais: a roda, o lanche e o parque. Algumas coisas podem ser diferentes. Posso olhar o quadro de rotina para saber o que vem depois. Se eu ficar preocupado, posso mostrar o cartão de ajuda.

Esses exemplos são ilustrativos. Adapte vocabulário, comprimento e imagens à sua criança. Para quem lê pouco, divida em uma frase por página e use fotos do local.

## Como usar na prática?

- **Quando ler:** antes do evento, em um momento calmo, e não no meio de uma dificuldade.
- **Quem lê:** um adulto de confiança, inicialmente; depois a criança pode ler sozinha ou escolher.
- **Frequência:** algumas leituras antes de uma situação nova; depois, reduza.
- **Formato:** livrinho, folha plastificada, aplicativo ou slides. Deixe à mão da criança.
- **Combinar com outros recursos:** a [rotina visual](/guias/rotina-visual-autismo/) mostra a sequência; a história explica o que acontece em cada etapa. Se a criança usa símbolos, mantenha os mesmos de sua [prancha de comunicação](/guias/comunicacao-alternativa-autismo/).

## O que evitar nas histórias sociais?

- Textos longos demais ou com muitas instruções.
- Linguagem negativa, de culpa ou punição.
- Descrever a criança como “problema”.
- Dar garantias que não podem ser cumpridas (“não vai doer nada”).
- Usar a história como substituto de apoio sensorial, de pausa ou de ajuda direta.
- Criar uma história para cada pequena dificuldade. Priorize as situações que mais importam.

## Como adaptar o formato à criança?

O mesmo conteúdo pode ganhar formatos diferentes:

- **Crianças que ainda não leem:** uma frase por página, com foto real ou desenho; o adulto lê e a criança vira a página.
- **Crianças que leem:** textos um pouco maiores, com espaço para a criança desenhar ou escolher o final.
- **Crianças que gostam de tecnologia:** apresentações simples em tablet, com áudio gravado pela família.
- **Crianças com interesse especial:** use o tema favorito (dinossauros, trens) como personagem, para atrair a atenção.
- **Crianças sensíveis a detalhes:** retire imagens muito elaboradas e prefira traços simples.

Depois de usar a história algumas vezes, observe se ela realmente ajudou: a criança parece mais tranquila? Sabe o que esperar? Se não, pode ser preciso mudar a história, repensar a situação ou combinar outros apoios, como pausas e [comunicação alternativa](/guias/comunicacao-alternativa-autismo/).

## E para emoções difíceis?

Histórias sociais também podem descrever sentimentos e estratégias, como “Quando fico bravo, meu corpo esquenta. Posso ir para o cantinho de calma”. Combine com atividades concretas, como cartões de emoções e respiração; veja [atividades sobre emoções](/guias/atividades-sobre-emocoes/). Se a criança tem crises frequentes e intensas, busque profissionais de saúde.

## Quando envolver profissionais?

Psicólogos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos têm experiência com o formato e podem ajudar a calibrar a linguagem, as imagens e as situações prioritárias. Na escola, o professor do AEE pode participar da elaboração e do uso. Leve a história para a consulta e discuta o que funcionou.

## Folhas prontas para apoiar

Cartões e folhas ilustradas ajudam a montar a história. Veja as [amostras gratuitas](/amostras/) para observar o estilo de ilustração que a criança aceita antes de produzir seu material.

## Para ter modelos e cartões prontos

O **Kit TEA & TDAH na Prática** reúne +440 recursos lúdicos em PDF, incluindo rotinas visuais, cartões, pranchas e fichas para imprimir, a partir de R$ 19,90. É um apoio para famílias e profissionais, que não substitui acompanhamento. Veja a [página do kit](/produtos/kit-tea-tdah-na-pratica/) e o [site oficial](https://kittea.genesisprotocol.com.br/).

## Referências
- [Ministério da Saúde — Autismo](https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/autismo)
- [OMS — Autism spectrum disorders](https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/autism-spectrum-disorders)
- [UNICEF — Desenvolvimento infantil](https://www.unicef.org/brazil/desenvolvimento-infantil)

## Sobre esta publicação
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