# Atividades para autistas não verbais: comunicação e escolhas

Canonical: https://blog.genesisprotocol.com.br/guias/atividades-autistas-nao-verbais/
Autoria: Equipe editorial Genesis Kids, iniciativa de PixelAB - Genesis Protocol.
Atualizado em: 2026-10-31.

Muitas pessoas autistas não falam ou falam pouco e se comunicam por gestos, olhar, sons, imagens e outros recursos. Atividades para esse perfil valorizam qualquer forma de comunicação, oferecem escolhas, apoio visual e jogos de turnos, sem exigir fala. Este guia traz propostas práticas e educativas, com adaptações e a lembrança de que o plano de comunicação deve ser definido com profissionais.

**Atividades para autistas não verbais** valorizam qualquer forma de comunicar, como gestos, olhar, sons, imagens e objetos, e não exigem fala. Funcionam com escolhas simples, apoio visual, jogos de turnos e rotina previsível. São educativas, com acompanhamento do adulto, e o plano de comunicação deve ser definido com profissionais que conhecem a pessoa.

"Não verbal" é um termo comum, mas impreciso: muitas pessoas autistas se comunicam, só não pela fala. Algumas falam poucas palavras, outras usam frases decoradas, outras utilizam imagens, gestos e dispositivos de comunicação. O Ministério da Saúde e a OMS descrevem o autismo como uma condição do neurodesenvolvimento com grande variação entre as pessoas, o que reforça que não existe uma receita única. O texto a seguir apresenta ideias de atividades para casa e escola, respeitando essa diversidade. Para o tema dos recursos de comunicação, veja o guia de [comunicação alternativa no autismo](/guias/comunicacao-alternativa-autismo/).

## O que muda quando a fala não é a principal via de comunicação?

O foco passa a ser criar situações em que a criança possa comunicar de qualquer jeito, e ser entendida. Isso significa observar sinais (apontar, olhar, afastar, puxar a mão), responder com atenção e dar tempo. Evite exigir que ela "fale" para receber algo: isso pode gerar frustração e reduzir a vontade de interagir.

| Princípio | O que fazer | Exemplo |
| --- | --- | --- |
| Presumir competência | Falar com respeito, sem presumir que não entende | Explicar o que vai acontecer |
| Dar tempo | Esperar 5 a 10 segundos pela resposta | Pausa depois da pergunta |
| Oferecer escolhas | Dois objetos ou imagens, uma pergunta | "Quer a bola ou o carrinho?" |
| Usar apoio visual | Mostrar o que se fala | Cartão com a figura do lanche |
| Valorizar toda tentativa | Responder a gestos e sons | Entregar o que ela apontou |

## Como oferecer escolhas com dois objetos?

1. **Materiais:** dois objetos de interesse da criança (por exemplo, um brinquedo e uma bola) ou dois cartões com figuras, e uma mesa limpa.
2. **Passo a passo:** mostre os dois itens, um em cada mão, e diga: "quer o carrinho ou a bola?". Espere. Se a criança olhar, apontar ou estender a mão, entregue o item escolhido e nomeie: "carrinho". Ofereça tempo para brincar e repita em outros momentos do dia.
3. **Mais fácil:** comece com um item de grande interesse e outro neutro.
4. **Mais desafiador:** acrescente uma terceira opção, ou peça que escolha entre duas imagens sem o objeto à vista.
5. **Cuidado:** respeite a escolha, mesmo que seja sempre a mesma; ela é uma forma de comunicação e de preferência.

## Como fazer um jogo de turnos sem palavras?

1. **Materiais:** um brinquedo de empilhar, blocos ou uma bola macia.
2. **Passo a passo:** sentem-se frente a frente. Coloque um bloco e estenda a mão para a criança colocar o seguinte. Alterne, marcando o momento da vez com um gesto simples ou com um som. Se ela quiser outro ritmo, siga o dela. Quando a torre cair, comemorem juntos.
3. **Mais fácil:** use uma bola que rola entre os dois, sem regras além de passar.
4. **Mais desafiador:** acrescente um "mais" (gesto) para pedir outro bloco.
5. **Adaptação:** crianças com sensibilidade a toque podem preferir que o adulto não segure a mão; ofereça o objeto apenas.

## Como usar uma sequência visual de duas ou três etapas?

1. **Materiais:** cartões com figuras (lavar as mãos, lanche, brincar), uma tira de velcro ou fita adesiva e um cartão final "acabou".
2. **Passo a passo:** monte a sequência em linha, da esquerda para a direita. Mostre o cartão atual e execute a ação com a criança. Ao terminar, ela (ou você) retira o cartão e coloca na caixa de "acabou". Passe ao seguinte. Comece com duas etapas e aumente conforme a compreensão.
3. **Mais fácil:** use o formato primeiro/depois, com apenas dois cartões.
4. **Mais desafiador:** inclua um cartão de "escolha" na sequência, para que ela decida o último momento.
5. **Aplicação:** o guia de [rotina visual no autismo](/guias/rotina-visual-autismo/) detalha como montar e adaptar esse recurso.

## Como brincar com música e movimento?

Música e ritmo são pontes de interação para muitas pessoas. Cante canções com gestos repetidos, faça pausas e espere o gesto da criança para continuar ("mais"). Ofereça instrumentos simples, como um tambor ou chocalho, e imite o que ela faz antes de propor algo novo. Respeite a sensibilidade a sons: volume baixo, pausas e a opção de se afastar. Não force o contato visual nem a imitação. O importante é perceber o que ela escolhe, e responder.

## Como usar histórias e objetos concretos?

1. **Materiais:** um livro curto com imagens claras e dois ou três objetos que aparecem na história (por exemplo, uma colher, um boneco).
2. **Passo a passo:** leia apontando para a figura e mostrando o objeto correspondente. Deixe a criança tocar, cheirar (se for seguro) e explorar. Pause e espere por um gesto, um olhar ou um som. Repita a mesma história por vários dias, pois a previsibilidade traz segurança.
3. **Mais fácil:** conte com apenas dois objetos e uma imagem por vez.
4. **Mais desafiador:** peça que escolha o próximo objeto da história entre dois.
5. **Aplicação:** o guia de [histórias sociais no autismo](/guias/historias-sociais-autismo/) apresenta outro uso de textos curtos e imagens.

## Como criar situações para pedir "mais", "ajuda" e "acabou"?

1. **Materiais:** uma atividade de interesse da criança (bolhas de sabão, bolinhas, um lanche permitido), um cartão ou gesto para "mais", outro para "ajuda" e outro para "acabou".
2. **Passo a passo:** brinque até um momento prazeroso e pare de repente, esperando. Mostre o cartão de "mais" e faça o gesto junto. Se a criança olhar, apontar ou fizer o gesto, retome a brincadeira imediatamente. Em outro momento, feche uma caixa com um brinquedo dentro e modele "ajuda". Ao fim, mostre "acabou" e guarde.
3. **Mais fácil:** aceite qualquer sinal, como olhar para o objeto ou estender a mão.
4. **Mais desafiador:** peça que escolha entre "mais" e "acabou" e respeite a resposta.
5. **Cuidado:** não use a espera como teste nem como castigo; se a criança ficar angustiada, ofereça o que ela busca e tente de outra forma depois.

## Como organizar o espaço para favorecer a comunicação?

Organize o ambiente para que a criança precise e possa se comunicar. Deixe objetos de interesse visíveis, mas fora do alcance, em potes transparentes, para que ela peça. Mantenha os cartões de comunicação em local fixo e acessível, na altura dela. Reduza o excesso de brinquedos à vista, que dificulta a escolha, e alterne os itens conforme o interesse. Em sala de aula, reserve um canto calmo, com poucos estímulos, para momentos de regulação. Esses pequenos ajustes aumentam as chances de interação sem exigir esforço extra da criança.

## Quais cuidados são essenciais?

- Respeite sinais de desconforto: tapar ouvidos, afastar-se ou balançar podem indicar excesso de estímulos.
- Evite comparar com outras crianças ou cobrar fala.
- Mantenha ambiente organizado, com pouca distração e previsibilidade.
- Use frases curtas, tom calmo e o mesmo vocabulário em casa e na escola.
- Combine com os profissionais (fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, professor de AEE) quais recursos de comunicação usar.
- Reconheça que a comunicação também pode ser emocional: crises e choro são formas de dizer algo.
- As atividades são educativas e não são terapia, nem substituem avaliação ou acompanhamento.

## Como a família e a escola podem trabalhar juntas?

Compartilhe com a escola o que funciona em casa: os sinais que a criança usa, os objetos de interesse, os cartões e as escolhas preferidas. Peça o mesmo à escola. Mantenha um caderno de comunicação simples, com fotos e anotações curtas. A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) garante direito à educação inclusiva e a recursos de acessibilidade, o que inclui apoios de comunicação. Se tiver dúvidas sobre direitos, procure a rede de saúde e a secretaria de educação.

## Material de apoio para imprimir

O **Kit TEA & TDAH na Prática** inclui pranchas de comunicação, cartões de escolha, rotinas visuais e outros recursos entre seus +440 recursos lúdicos. Experimente a [amostra de comunicação alternativa](/amostras/), veja a [página do kit](/produtos/kit-tea-tdah-na-pratica/) e a [loja](/loja/). Kit TEA & TDAH na Prática: +440 recursos lúdicos, a partir de R$ 19,90. É material de apoio e não substitui avaliação nem terapia.

## Referências
- [Ministério da Saúde — Autismo](https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/autismo)
- [OMS — Autism spectrum disorders](https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/autism-spectrum-disorders)
- [Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015)](https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm)

## Sobre esta publicação
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